Sindicato considera que a Manutenção e Engenharia poderá ter sido um dos fatores que ajudaram a fazer pender a balança e vê na integração no Grupo Lufthansa uma oportunidade para reforçar a capacidade industrial portuguesa, valorizar os TMA e criar emprego qualificado.

O SITEMA – Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves encara com expectativa positiva a decisão do Governo de selecionar o Grupo Lufthansa como parceiro para a privatização parcial da TAP, reconhecendo o potencial que esta operação poderá representar para o futuro da aviação portuguesa, particularmente nas áreas da Manutenção e Engenharia.

Entre os vários aspetos que marcaram este processo, há um que merece particular destaque: o papel da Manutenção e Engenharia da TAP. Numa decisão em que as propostas apresentadas revelaram grande proximidade do ponto de vista estratégico e contratual, e em que a componente financeira acabou por ser determinante, a capacidade industrial e tecnológica associada à manutenção aeronáutica assume especial relevância no projeto apresentado pela Lufthansa. Para o SITEMA, a Manutenção e Engenharia, tantas vezes vista apenas como uma área de suporte à operação, poderá ter sido um dos fatores que ajudaram a fazer pender a balança, demonstrando uma vez mais o valor estratégico que representa para a TAP e para o país.

A Lufthansa possui uma reconhecida capacidade industrial e tecnológica neste setor, pelo que a anunciada integração da TAP Manutenção e Engenharia na rede Lufthansa Technik poderá constituir uma oportunidade importante para o desenvolvimento da atividade em Portugal, permitindo acesso a novos mercados, tecnologias e competências.
O crescimento previsto da frota da TAP, que poderá atingir 130 aeronaves, bem como o investimento anunciado de cerca de 300 milhões de euros na área da Manutenção e Engenharia, associado à criação de 700 postos de trabalho em Santa Maria da Feira, são sinais que o SITEMA considera positivos.

Contudo, o sindicato entende que será fundamental conhecer o alcance efetivo destes compromissos, particularmente no que respeita ao futuro das estruturas de manutenção atualmente existentes na TAP e à forma como serão integradas na organização industrial do Grupo Lufthansa.

Para o SITEMA, o desenvolvimento de novas capacidades industriais em Portugal deverá representar um acréscimo de atividade e de competências, e não uma mera redistribuição de recursos ou uma transferência de responsabilidades entre empresas do grupo.
A decisão tem igualmente implicações para a Portugália, cuja modernização da frota foi expressamente referida na proposta apresentada. Esta perspetiva poderá representar uma evolução importante para a companhia, mas exige esclarecimentos sobre os modelos de aeronaves previstos, o calendário da renovação e as consequências para a atividade de manutenção.

O SITEMA considera essencial que esta modernização seja acompanhada pelo investimento necessário na formação, qualificação e valorização dos atuais Técnicos de Manutenção de Aeronaves (TMA) da Portugália, garantindo que a evolução tecnológica constitui também uma oportunidade de desenvolvimento profissional.

O sindicato regista ainda os compromissos de estabilidade laboral e respeito pelos TMA anunciados pelo Governo, considerando, no entanto, necessário conhecer as garantias concretas que lhes estão associadas, nomeadamente no que respeita à manutenção do emprego, às carreiras profissionais, às condições de trabalho e ao cumprimento dos acordos de empresa.

Para Jorge Alves, presidente do SITEMA, «a Manutenção e Engenharia da TAP é um ativo estratégico que não pode ser avaliado apenas pelos seus resultados operacionais. Estamos a falar de décadas de conhecimento, experiência e capacidade técnica acumulada. A possibilidade de integrar uma rede industrial com a dimensão da Lufthansa Technik pode representar uma oportunidade extraordinária para Portugal, mas é fundamental que essa integração venha acrescentar valor ao que já existe e não apenas aproveitar o valor que foi construído ao longo de gerações».

O SITEMA recorda que os TMA portugueses são profissionais altamente especializados, com qualificações exigentes e competências reconhecidas internacionalmente, cuja formação e experiência representam um ativo estratégico para qualquer grupo de aviação.

Num mercado internacional particularmente competitivo, a capacidade de atrair e reter estes profissionais será determinante para concretizar os objetivos de crescimento anunciados.

«É importante perceber que não basta investir milhares de milhões de euros em aeronaves e infraestruturas. É indispensável investir também nas pessoas que permitem manter esses aviões a voar em segurança. A capacidade industrial não se constrói apenas com instalações e equipamentos, constrói-se sobretudo com conhecimento e profissionais qualificados. E Portugal tem esse património, que importa preservar e valorizar», acrescenta Jorge Alves.

O sindicato sublinha que esta decisão representa ainda o início de uma nova etapa de um processo cujos detalhes contratuais e operacionais carecem de maior esclarecimento. Neste contexto, considera fundamental que as organizações representativas dos TMA sejam envolvidas no acompanhamento das mudanças que possam afetar o emprego, a organização da manutenção e as condições profissionais.

O SITEMA reafirma a sua disponibilidade para um diálogo construtivo com a administração da TAP, com os futuros parceiros e com as entidades responsáveis pelo processo, mantendo como prioridade a defesa dos direitos e interesses dos TMA que representa.

O sucesso desta operação não deverá ser avaliado apenas pelo valor obtido na privatização, mas também pelo valor económico, industrial e humano que a TAP e a Portugália forem capazes de gerar em Portugal nos próximos anos.