Ryanair

A Ryanair anunciou uma redução significativa da sua operação na Bélgica durante a época de inverno de 2026, com o cancelamento de 20 rotas e a retirada de seis aeronaves das bases que mantém no país. A decisão surge em protesto contra o aumento previsto da taxa sobre a aviação, que deverá entrar em vigor em janeiro de 2027.

A medida representa uma redução de aproximadamente 1,1 milhões de lugares disponíveis ao longo da próxima época de inverno. A companhia aérea irlandesa pretende transferir os seis aviões para outras bases da sua rede europeia, onde considera existirem condições mais favoráveis ao desenvolvimento da atividade.

O principal motivo apontado pela transportadora é o aumento da taxa de aviação belga, que passará dos atuais dois euros para sete euros por passageiro em janeiro de 2027. Segundo Michael O’Leary, presidente executivo da Ryanair, esta alteração corresponde a um agravamento de 250%.

O responsável apelou ao Governo belga, liderado pelo primeiro-ministro Bart De Wever, para abandonar a medida, argumentando que o aumento da carga fiscal prejudicará a competitividade do transporte aéreo e a conectividade do país.

O’Leary apontou ainda exemplos de outros mercados europeus, como a Suécia, a Eslováquia, a Hungria e a Itália, onde foram reduzidas ou eliminadas determinadas taxas aeroportuárias e encargos associados à aviação.

Aeroporto de Charleroi entre os mais afetados

O Aeroporto de Bruxelas-Sul Charleroi deverá ser particularmente afetado pela decisão. Situado a cerca de 60 quilómetros a sul da capital belga, este aeroporto constitui a principal base operacional da Ryanair no país, contando habitualmente com cerca de 19 aeronaves estacionadas.

A companhia utiliza Charleroi como uma alternativa ao principal aeroporto de Bruxelas, concentrando naquele local uma parte significativa da sua operação de baixo custo.

Embora a Ryanair não tenha divulgado oficialmente uma lista completa das ligações que serão suspensas, informações publicadas pelo meio de comunicação belga Mobilithib apontam para o cancelamento de vários serviços durante o inverno, incluindo voos de Charleroi para Sarajevo, Dubrovnik, Béziers, Génova, Reggio Calabria, Trapani, Essaouira, Nador, Oujda, Tetuão, Łódź, Poznań, Varsóvia-Modlin e Newcastle.

A redução da oferta deverá também abranger ligações com partida do Aeroporto de Bruxelas-Zaventem, o principal aeroporto internacional da capital belga.

Entre as rotas que poderão deixar de ser operadas durante a próxima época de inverno encontram-se os voos para Madrid, Valência, Málaga, Roma-Fiumicino, Marraquexe, Porto e Barcelona-El Prat.

Conflito com as autoridades belgas

O desentendimento entre a Ryanair e as autoridades aeroportuárias e governamentais da Bélgica não é novo. Em 2022, a companhia encerrou a sua base no Aeroporto de Bruxelas-Zaventem na sequência de divergências relacionadas com os encargos aeroportuários, embora tenha continuado a operar voos para aquele aeroporto a partir de outras bases europeias.

Com o novo corte de rotas e a transferência de aeronaves, a transportadora volta a contestar a política de encargos aplicada ao setor aéreo belga.

A redução anunciada poderá limitar as opções de viagem disponíveis para os passageiros durante o inverno de 2026, incluindo ligações entre a Bélgica e vários destinos europeus, bem como mercados do Norte de África.

A companhia defende que o aumento da tributação torna o mercado belga menos competitivo face a outros países europeus, enquanto a dimensão final do impacto dependerá da implementação das medidas anunciadas e da evolução da política fiscal do Governo belga.