Ryanair

A Ryanair anunciou esta segunda-feira resultados recorde no exercício fiscal de 2025/26, com lucros líquidos ajustados (antes de itens excecionais) a subirem 40%, para 2,26 mil milhões de euros, impulsionados pelo aumento das tarifas aéreas e pela forte procura no mercado europeu.

A companhia transportou 208,4 milhões de passageiros até março de 2026, um crescimento de 4% face ao ano anterior, apesar dos atrasos na entrega de 29 aeronaves Boeing 737-8200. A taxa média de ocupação manteve-se nos 94%.

As receitas totais cresceram 11%, para 15,54 mil milhões de euros, enquanto os custos operacionais aumentaram 6%, para 13,09 mil milhões de euros. Segundo a empresa, a receita por passageiro subiu 7%, refletindo uma recuperação das tarifas após a queda registada no ano anterior.

O presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, destacou que a empresa beneficiou da recuperação dos preços dos bilhetes e da sua estratégia de controlo de custos, apesar da volatilidade nos mercados energéticos provocada pelo conflito no Médio Oriente.

A transportadora revelou ainda que 80% das necessidades de combustível para o exercício de 2026/27 já estão cobertas através de contratos de cobertura (“hedging”) a cerca de 67 dólares por barril, protegendo parcialmente a empresa contra a subida dos preços do petróleo.

Frota cresce e Ryanair aposta no MAX-10

A Ryanair terminou o exercício com uma frota de 647 aeronaves, incluindo 210 aparelhos Boeing “Gamechanger”, mais eficientes em consumo de combustível. A companhia espera aumentar o tráfego em mais 4% no próximo exercício, para cerca de 216 milhões de passageiros.

A empresa confirmou também que espera receber os primeiros aviões Boeing MAX-10 na primavera de 2027, com um total de 300 aeronaves previstas até 2034. Estes aviões deverão consumir menos 20% de combustível e transportar mais passageiros.

Dividendos e recompra de ações

A companhia anunciou ainda um dividendo final de 0,195 euros por ação, sujeito à aprovação dos acionistas, a pagar em setembro.

Durante o último exercício, a Ryanair recomprou e cancelou cerca de 2% do capital social, continuando a política de remuneração aos acionistas. Desde 2008, a empresa já retirou aproximadamente 38% das ações em circulação.

Perspetivas cautelosas para 2026/27

Apesar da forte procura para o verão de 2026, a Ryanair alertou para os riscos associados ao aumento dos preços do combustível, às tensões geopolíticas e ao agravamento das taxas ambientais na União Europeia.

A empresa prevê que os custos unitários possam aumentar durante o próximo exercício, pressionados pelo combustível, salários e manutenção da frota. A administração admite também menor visibilidade nas reservas devido à incerteza económica.

Ainda assim, a Ryanair considera que as limitações de capacidade no setor europeu de curto curso e a sua estrutura de baixo custo deverão permitir à companhia continuar a crescer de forma lucrativa nos próximos anos, com o objetivo de ultrapassar os 300 milhões de passageiros anuais até 2034.