O Ministério da Defesa do Reino Unido deu início ao processo de procura de uma nova aeronave de treino a jacto para a Royal Air Force (RAF), numa iniciativa que abrange também os aviões utilizados pela equipa acrobática Red Arrows.
A primeira fase do programa foi lançada através de um pedido de informação ao mercado, publicado a 7 de agosto de 2026. O documento, identificado pelo código 700004994-RFI, pretende recolher informação junto de potenciais fornecedores sobre as soluções disponíveis para substituir as actuais frotas de aviões de treino a jacto.
As empresas interessadas têm até 11 de setembro de 2026 para apresentar os seus dados, contactos e indicar as áreas em que pretendem participar no processo.
O Ministério da Defesa britânico esclarece, contudo, que esta iniciativa tem exclusivamente como objectivo recolher informação e não constitui um concurso público nem representa um compromisso de aquisição. O programa está a ser conduzido no âmbito do grupo do National Armaments Director.
Investimento de 360 milhões de libras
A substituição das aeronaves enquadra-se no Defence Investment Plan, apresentado pelo Governo britânico em junho. O plano prevê um investimento de 360 milhões de libras, cerca de 485 milhões de dólares, destinado à renovação integral do sistema de treino de pilotos de jactos.
Além da renovação da frota, Londres pretende assegurar uma participação significativa da indústria britânica no programa. O novo sistema deverá ainda preparar os pilotos para a operação de aeronaves de combate de quinta e sexta gerações, incluindo o F-35 e os futuros sistemas desenvolvidos no âmbito do Global Combat Air Programme (GCAP).
O programa deverá abranger duas frotas distintas.
Os Hawk T1, que entraram ao serviço da RAF em 1976 e são utilizados pelos Red Arrows desde 1979, deverão ser retirados de serviço até ao final de 2030. O envelhecimento das células já está a condicionar as operações da equipa acrobática, que durante grande parte da temporada de 2026 tem realizado demonstrações com formações de sete aeronaves, em vez das tradicionais nove.
Já a RAF dispõe de 28 Hawk T2 estacionados na base de RAF Valley, no País de Gales, onde são utilizados no âmbito do UK Military Flying Training System. Apesar de serem significativamente mais recentes, estes aviões têm enfrentado problemas de disponibilidade, com o apoio aos motores a constituir uma das dificuldades recorrentes.
Vários fabricantes poderão disputar o programa
O Reino Unido deixou entretanto de produzir aviões de treino a jacto. A linha de produção do Hawk da BAE Systems foi encerrada depois de concluídas as encomendas de exportação, sendo que a empresa já indicou que seria necessário um novo contrato de dimensão suficiente para justificar a sua reactivação.
A empresa britânica Aeralis, que desenvolvia uma solução própria para o mercado de treino militar, também deixou de ser uma opção. A companhia entrou em processo de administração em maio de 2026, depois de o seu financiador do Qatar ter retirado o apoio financeiro.
Neste contexto, o futuro treinador da RAF deverá resultar de uma solução estrangeira associada a parceiros industriais britânicos.
Entre os candidatos mais visíveis encontram-se a Boeing e a Saab, que estabeleceram uma parceria com a BAE Systems para apresentar o T-7A Red Hawk. O acordo prevê que a BAE Systems assuma o papel de contratante principal e que seja criada uma linha de montagem final no Reino Unido.
O T-7A recebeu em abril deste ano autorização da Força Aérea dos Estados Unidos para avançar para a produção inicial de baixa cadência, reforçando a sua posição na corrida britânica.
A Leonardo, que possui uma presença industrial significativa no Reino Unido, deverá também avaliar a apresentação do M-346, já utilizado por diversas forças aéreas para formação avançada de pilotos.
A sul-coreana Korea Aerospace Industries (KAI) manifestou igualmente interesse em trabalhar com empresas britânicas para propor uma aeronave da família T-50.
Outra possibilidade poderá surgir da Turkish Aerospace, com o Hürjet, avião de treino avançado que foi seleccionado por Espanha em 2025 para um programa de 30 aeronaves, desenvolvido com a Airbus como coordenadora industrial nacional.
Red Arrows terão papel importante na escolha
Embora o novo sistema tenha como principal finalidade substituir as capacidades de treino avançado da RAF, a futura aeronave terá também de responder às necessidades dos Red Arrows.
A equipa acrobática britânica utiliza actualmente o Hawk T1, um modelo que se aproxima do fim da sua carreira operacional e cuja substituição será necessária antes de 2030.
A escolha de um novo avião poderá, assim, ter de conciliar requisitos bastante diferentes: por um lado, a formação de pilotos destinados a aeronaves de combate de última geração e, por outro, as exigências específicas de uma equipa acrobática de demonstração.





