Portugália aposta na realidade virtual para formar pilotos e técnicos enquanto Ryanair revoluciona apoio às tripulações

A transformação digital na formação e no apoio às tripulações esteve em destaque esta terça-feira, 13 de outubro, no World Aviation Festival 2026, que decorre na FIL, em Lisboa, com a participação de responsáveis da Portugália Airlines e da Ryanair.

O painel, dedicado à utilização de ferramentas digitais para melhorar a experiência das tripulações e o serviço aos passageiros, contou com Hugo Oliveira, diretor de Formação da Portugália Airlines, Sinead Quinn, diretora de Operações de Voo da Ryanair, e Malek Trimeche, consultora independente.

Portugália prepara formação em realidade virtual para técnicos de manutenção

Hugo Oliveira revelou que a Portugália Airlines está a expandir a utilização de realidade virtual (VR) na formação dos seus profissionais, depois dos resultados positivos obtidos com pilotos e tripulantes de cabine.

A companhia prepara agora a introdução, já em novembro, de formação em realidade virtual destinada aos técnicos de manutenção.

Entre as tarefas que poderão ser praticadas encontram-se a montagem de motores, intervenções na unidade auxiliar de potência (APU) e ensaios de pressurização.

Segundo o responsável, esta tecnologia permitirá repetir procedimentos sem as limitações associadas à disponibilidade física dos equipamentos.

A realidade virtual já permite à companhia realizar determinados exercícios de segurança sem recorrer a um avião real, reduzindo custos e facilitando a formação contínua.

Hugo Oliveira revelou ainda que a empresa criou, há cerca de três anos, um centro de formação no metaverso, desenvolvido em colaboração com a Microsoft. A plataforma continua em desenvolvimento e pretende disponibilizar apoio aos profissionais independentemente do local ou horário em que se encontrem.

Inteligência artificial analisa o desempenho da formação

Outra das áreas de investimento da Portugália Airlines é a inteligência artificial.

A tecnologia está a ser utilizada para analisar resultados da formação, identificar dificuldades dos profissionais e detetar diferenças nos critérios de avaliação utilizados pelos instrutores.

O objetivo é melhorar a qualidade da formação e adaptar os programas às necessidades identificadas.
Apesar destas vantagens, Hugo Oliveira defendeu que a inteligência artificial não deve substituir a avaliação humana, especialmente no caso dos pilotos.

O responsável salientou que o desempenho de um piloto não pode ser avaliado exclusivamente através de parâmetros informáticos, uma vez que determinadas situações exigem capacidade de interpretação e análise do contexto operacional.

Ryanair reúne ferramentas das tripulações numa única aplicação

Sinead Quinn apresentou a experiência da Ryanair com a plataforma Ryanair Connect, desenvolvida para concentrar numa única aplicação as principais ferramentas utilizadas pelas tripulações.

A solução permite consultar escalas, identificar colegas de voo, aceder a documentação de formação, comunicar internamente e obter apoio através de inteligência artificial generativa.

Uma das funcionalidades destacadas foi a possibilidade de solicitar alterações de escala e obter respostas automáticas praticamente imediatas.

Segundo a responsável, estas ferramentas estão a proporcionar maior flexibilidade aos trabalhadores e a facilitar a organização da sua vida pessoal.

A Ryanair dispõe de equipas internas de desenvolvimento tecnológico, responsáveis pela criação de soluções adaptadas às necessidades dos seus profissionais.

A companhia utiliza também inteligência artificial para produzir vídeos de formação a partir de texto, permitindo criar conteúdos em poucos minutos.

Sinead Quinn revelou ainda que uma ferramenta interna de apoio baseada em inteligência artificial é utilizada por cerca de mil tripulantes por semana para esclarecer questões não relacionadas com segurança.

A tecnologia não deve substituir o contacto humano

Apesar dos progressos tecnológicos, os dois responsáveis concordaram que a digitalização deve simplificar os processos e não criar dificuldades adicionais.

Hugo Oliveira salientou que nem todos os profissionais se adaptam às mesmas tecnologias, referindo que entre 5% e 10% das pessoas podem apresentar dificuldades na utilização de equipamentos de realidade virtual.

Por sua vez, Sinead Quinn defendeu que as aplicações devem ser intuitivas e suficientemente simples para dispensarem manuais de utilização.

Ambos reconheceram também os desafios associados à cibersegurança e à integração de diferentes sistemas informáticos.

No que respeita à inteligência artificial, os responsáveis consideraram fundamental preservar a intervenção humana em decisões relacionadas com segurança, bem-estar e avaliação profissional.

A sessão demonstrou como a digitalização está a transformar não apenas a experiência dos passageiros, mas também a formação, a gestão operacional e o quotidiano dos profissionais da aviação.

A Aviação TV acompanha o World Aviation Festival 2026 em Lisboa, onde participa como Media Partner, seguindo as principais novidades tecnológicas e estratégicas apresentadas pela indústria mundial da aviação.