O motor de um Boeing 737-800 da Ryanair que sofreu uma falha grave em voo sobre a Grécia, em julho, tinha estado envolvido em cinco incidentes suspeitos de colisão com aves antes da fratura de uma das pás do ventilador. A informação consta de um relatório preliminar do National Transportation Safety Board (NTSB), organismo norte-americano responsável pela investigação.

O incidente ocorreu a 10 de julho de 2026, pouco depois da descolagem do Aeroporto Internacional de Salónica, quando o avião, operado pela Malta Air em nome da Ryanair e com a matrícula 9H-QEU, subia em direção a Memmingen, na Alemanha.

Quando o Boeing 737-800 atingia cerca de 16.000 pés, os pilotos sentiram fortes vibrações no motor direito e ouviram um estrondo. Uma pá do ventilador do motor n.º 2 partiu-se, provocando a libertação de fragmentos que atingiram a fuselagem e o estabilizador horizontal.

Um dos fragmentos atingiu uma janela situada na fila 11, provocando a sua destruição e uma rápida despressurização da cabine. O passageiro de 61 anos que se encontrava sentado junto à janela partida foi parcialmente projetado para o exterior da aeronave, tendo sido puxado novamente para dentro por outros passageiros. Sofreu ferimentos no pescoço e nos ombros, além de queimaduras provocadas pela fricção.

Segundo o NTSB, os investigadores encontraram restos e penas de aves no interior de componentes do motor danificado. O mesmo motor tinha estado envolvido em outras quatro suspeitas de colisão com aves nos 12 meses anteriores. Em dois desses casos foram encontrados restos de aves.

As inspeções de manutenção realizadas após os quatro incidentes anteriores não detetaram danos no motor. As pás do ventilador também tinham sido submetidas a inspeções ultrassónicas, em novembro de 2025 e maio de 2026, sem que fossem identificadas anomalias.

Durante a investigação foram recuperados três fragmentos soltos de pás do ventilador no interior do motor.

O acidente apresenta algumas semelhanças com outros casos de falha de pás de ventiladores em Boeing 737 da anterior geração. Entre eles está o acidente do voo 1380 da Southwest Airlines, em 2018, no qual fragmentos provenientes de um motor atingiram uma janela, provocando a morte de uma passageira.

Em 2025, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) emitiu três diretivas de aeronavegabilidade destinadas a reduzir o risco de componentes do motor, após uma falha de pá do ventilador, atingirem a fuselagem. As medidas incluem alterações nos elementos de fixação, espaçadores e procedimentos de manutenção.

O Boeing 737-800 envolvido no incidente ainda não tinha recebido as principais modificações previstas nessas diretivas. No entanto, os operadores dispõem até julho de 2028 para concluir as alterações. O NTSB não indicou, até ao momento, que a ausência dessas modificações tenha contribuído para o acidente.

Apesar dos danos, a tripulação conseguiu regressar em segurança a Salónica, cerca de uma hora depois da partida.

As colisões com aves continuam a representar um risco para a aviação comercial, sobretudo durante a descolagem e a aterragem, quando os aviões operam a baixa altitude. Embora a maioria destes incidentes não provoque consequências graves, a ingestão de aves por motores a jato pode causar danos significativos e, em situações raras, levar à perda de potência ou à falha do motor em voo.