A LAM – Linhas Aéreas de Moçambique anunciou que já recebeu os dois aviões Embraer E190 que se encontravam na África do Sul para trabalhos de manutenção e preparação, encontrando-se agora aptos para entrar ao serviço.

Em comunicado divulgado este sábado, 25 de julho, a transportadora refere que ambas as aeronaves estão em excelentes condições técnicas e deverão iniciar operações comerciais dentro de cerca de três semanas, após a conclusão dos procedimentos regulamentares e operacionais exigidos para a sua certificação e entrada em serviço.

A companhia acrescenta que dispõe já de tripulações qualificadas, bem como das condições técnicas e operacionais necessárias para integrar os dois aviões na frota, garantindo o cumprimento dos padrões de segurança e eficiência.

Segundo a LAM, a entrada em operação destes Embraer representa um passo importante no processo de renovação da frota, permitindo reforçar a capacidade operacional, melhorar a regularidade dos voos e aumentar a qualidade do serviço prestado aos passageiros.

As aeronaves chegaram a Maputo na noite de 24 de julho e encontram-se atualmente num hangar da companhia. A sua chegada chamou a atenção por apresentarem uma nova identidade visual e a designação comercial Air Mozambique, uma alteração que ainda não foi oficialmente explicada, mas que surge numa altura em que decorrem mudanças no âmbito da reestruturação da transportadora estatal.

A empresa sublinha que a aquisição destes dois Embraer E190 integra o plano de recuperação e transformação da LAM, destinado a modernizar a companhia, aumentar a sua competitividade e oferecer um transporte aéreo mais seguro, eficiente e fiável.

No final de maio, já tinha sido revelado que duas das quatro aeronaves adquiridas no âmbito da reestruturação permaneciam na África do Sul para trabalhos de pintura e outras intervenções técnicas.

Na ocasião, Agostinho Langa, presidente do conselho de administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), explicou que a nova pintura fazia parte de um processo mais abrangente de renovação da companhia, que inclui também alterações aos procedimentos internos e à estratégia da empresa.

De acordo com a Conta Geral do Estado de 2025, entretanto aprovada pelo Governo moçambicano e enviada ao Parlamento, a LAM adquiriu, no âmbito do seu plano de reestruturação, quatro aeronaves: dois Bombardier Dash Q400 e dois Embraer E190.

A transportadora enfrenta há vários anos dificuldades operacionais provocadas pela reduzida dimensão da frota e pela escassez de investimento, encontrando-se atualmente num processo de transformação financeira e operacional.

Em 2025, a Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) passou a deter 25,2% do capital da companhia, enquanto a Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) e os Caminhos de Ferro de Moçambique adquiriram, cada um, uma participação de 15,4%.

Segundo a Conta Geral do Estado, a HCB aprovou um investimento de 36 milhões de dólares para apoiar a reestruturação da companhia e participou na criação da Fly Moz, entidade destinada a assegurar financiamento à LAM. A Emose investiu 22 milhões de dólares, reforçando igualmente a sua posição acionista.

Embora há cerca de um ano tenha sido anunciada a intenção de alienar 91% do capital da LAM, as operações concretizadas até ao momento representam pouco mais de metade da estrutura acionista da transportadora.