A Federal Aviation Administration (FAA) anunciou uma mudança histórica na segurança aérea: os Cockpit Voice Recorders (CVR) passarão a gravar 25 horas, em vez das atuais 2 horas. O objetivo é facilitar investigações de incidentes e acidentes e aumentar a segurança operacional.

A regra valerá para aeronaves novas a partir de 2027 e deverá ser implementada em aeronaves comerciais já em operação até 2030. Com isso, os Estados Unidos passam a seguir os padrões da ICAO e da EASA. Segundo a FAA, desde 2003 houve mais de uma dezena de incidentes em que gravações mais longas teriam sido decisivas para compreender o que aconteceu no cockpit.

A mudança é considerada essencial porque muitos incidentes acontecem no início do voo ou não impedem que a aeronave continue operando, o que faz com que os áudios sejam sobrescritos. Um exemplo foi o quase-acidente de um Boeing 777 da American Airlines em JFK, em 2023, cujo áudio não pôde ser recuperado.

Sindicatos de pilotos, como a ALPA, manifestaram preocupação com a privacidade e a possível divulgação indevida das gravações. Especialistas, porém, reforçam que os dados do CVR são protegidos por lei e são fundamentais para analisar comunicação, tomada de decisão e procedimentos de segurança.

Além disso, o debate sobre a adoção de gravadores de vídeo no cockpit continua, como ferramenta adicional para esclarecer incidentes complexos.

Em resumo, a ampliação da gravação do CVR representa um avanço importante para tornar as investigações mais precisas e os voos mais seguros.