Os Estados Unidos alertaram a União Europeia para o risco de comprometimento do acordo comercial que suspendeu as tarifas sobre aviões civis, devido a um financiamento de três mil milhões de euros aprovado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) à Airbus.

O aviso foi feito por Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, que manifestou preocupação com a falta de transparência relativamente às condições do financiamento concedido à fabricante europeia.

O empréstimo, anunciado em junho, constitui o maior financiamento empresarial alguma vez aprovado pelo BEI e destina-se a apoiar projetos de investigação, desenvolvimento tecnológico e inovação da Airbus em França, Alemanha e Espanha.

A Boeing já tinha solicitado, em julho, a intervenção das autoridades norte-americanas, exigindo esclarecimentos sobre as condições do financiamento e a possibilidade de os fundos serem utilizados no desenvolvimento de uma nova geração de aviões comerciais.

Washington pretende determinar se o empréstimo constitui uma forma de apoio estatal que possa violar as regras da Organização Mundial do Comércio e os compromissos assumidos entre os Estados Unidos e a União Europeia.

O diferendo surge após 17 anos de disputas comerciais entre a Airbus e a Boeing, que resultaram na aplicação de tarifas sobre milhares de milhões de euros em produtos europeus e norte-americanos.

Em 2021, Bruxelas e Washington alcançaram um acordo para suspender essas tarifas, posteriormente prolongado em julho de 2026.

O Banco Europeu de Investimento rejeita as acusações de favorecimento, garantindo que se trata de um empréstimo normal, sujeito ao pagamento de juros.

A Airbus também defende que o financiamento foi contratado em condições de mercado e destina-se a apoiar os seus investimentos industriais e tecnológicos.

Para já, os Estados Unidos não anunciaram novas tarifas, mas o aviso de Washington reacende as tensões comerciais entre os dois maiores fabricantes mundiais de aviões comerciais.