A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) alargou a zona do espaço aéreo saudita que recomenda às companhias aéreas europeias que evitem, na sequência dos ataques atribuídos aos rebeldes houthis contra alvos na Arábia Saudita, incluindo o aeroporto da capital, Riade.

A atualização foi divulgada na sexta-feira, 9 de outubro, no âmbito do boletim informativo sobre zonas de conflito, publicado inicialmente a 30 de setembro. Segundo a agência, os incidentes mais recentes evidenciam a capacidade dos houthis, apoiados pelo Irão, para atingir alvos localizados no interior do território saudita, incluindo a capital. Perante esta evolução, a EASA decidiu incluir uma nova área no noroeste do país nas zonas abrangidas pelo aviso.

A entidade europeia alerta que a repetição de ataques com mísseis e drones, associada à utilização de sistemas de defesa antiaérea, aumenta os riscos para a aviação civil. Entre as principais ameaças estão a possibilidade de aeronaves comerciais serem confundidas com alvos militares, a proximidade de projéteis durante o voo, as operações de interceção e a queda de destroços.

Lufthansa e Air France-KLM prolongam suspensão de voos

A situação de segurança levou várias companhias aéreas a reverem as suas operações para a capital saudita. O Grupo Lufthansa suspendeu todos os voos para Riade até 16 de outubro, enquanto a Air France-KLM prolongou a interrupção dos serviços de e para a cidade até ao final do mês.

O aeroporto internacional da capital saudita continuava encerrado no domingo, 11 de outubro, na sequência de um ataque que provocou uma vítima mortal e deixou perto de uma dúzia de feridos. Este incidente ocorreu depois de um ataque anterior, reivindicado pelos houthis no dia precedente, que terá causado 13 mortos e mais de 300 feridos.

Quase todos os voos cancelados em Riade

O impacto na operação aérea foi particularmente expressivo no Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, o segundo mais movimentado da Arábia Saudita, depois do aeroporto de Jeddah.

Dados da Cirium, citados pela Reuters, indicam que 99,7% dos voos previstos para domingo foram cancelados. Para segunda-feira, 12 de outubro, as estimativas apontavam para a possibilidade de mais de um terço dos voos programados na região não se realizar.

O alargamento do aviso da EASA reforça as preocupações com a segurança das operações comerciais na região, num contexto de crescente ameaça à aviação civil e de perturbações significativas nas ligações aéreas com a capital saudita.