A Delta Air Lines reviu em baixa as suas previsões de resultados para 2026, depois de o aumento dos custos com combustível ter ultrapassado os ganhos proporcionados pela subida das tarifas e pela forte procura de viagens aéreas. A companhia norte-americana estima que a factura anual com combustível aumente 6 mil milhões de dólares face a 2025.

A transportadora anunciou, a 9 de outubro, que espera agora alcançar resultados ajustados de 5,10 a 5,60 dólares por acção em 2026, abaixo dos 6,50 a 7,50 dólares previstos em julho.

Apesar da revisão em baixa, a Delta, com sede em Atlanta, mantém a expectativa de gerar cerca de 4,5 mil milhões de dólares em lucros ajustados antes de impostos.

Receitas atingem valor recorde no terceiro trimestre

Os resultados do terceiro trimestre demonstram que a procura continua robusta. A Delta registou receitas ajustadas recorde de 17,6 mil milhões de dólares, um aumento de 16% em comparação com o mesmo período de 2025, apesar de a capacidade global de transporte ter permanecido praticamente inalterada.

Ainda assim, a subida dos custos operacionais pressionou a rentabilidade. A companhia gastou 4,1 mil milhões de dólares em combustível no terceiro trimestre, um aumento de 62% face ao período homólogo. Segundo o director financeiro, Erik Snell, a despesa foi superior em mais de 500 milhões de dólares àquela que a empresa tinha previsto em julho.

A margem operacional ajustada recuou de 11,1% para 9,4%. Os custos unitários excluindo combustível aumentaram 7,3%, sobretudo devido às despesas com tripulações e aos custos associados às receitas, num contexto de crescimento da capacidade inferior ao inicialmente planeado. As tempestades registadas durante o verão também contribuíram para o aumento das despesas.

Tarifas premium compensam parcialmente a pressão dos custos

A Delta continua a beneficiar da procura por produtos de maior valor acrescentado. No terceiro trimestre, as receitas das cabines premium cresceram 18%, impulsionadas por um aumento de 6% no número de lugares disponíveis, tarifas mais elevadas e uma maior taxa de ocupação.

Na classe económica, a receita por lugar-quilómetro disponível aumentou 17%, mesmo com a redução do número de lugares oferecidos nesta categoria.

O resultado líquido ajustado cresceu 2%, para 1,13 mil milhões de dólares, equivalentes a 1,72 dólares por acção. Já o resultado líquido contabilístico caiu 47%, para 756 milhões de dólares, ou 1,15 dólares por acção. A diferença resulta, entre outros factores, do tratamento de determinadas mais-valias e menos-valias de investimentos e de operações de cobertura do risco de combustível nos resultados ajustados.

Combustível deverá ficar mais caro no último trimestre

Para o quarto trimestre, a Delta prevê um preço ajustado do combustível de aproximadamente 4,25 dólares por galão, acima dos 3,61 dólares registados no terceiro trimestre. A estimativa já incorpora poupanças de cerca de 40 cêntimos por galão proporcionadas pela refinaria da companhia.

A empresa espera, ainda assim, aumentar as receitas em cerca de 20% no último trimestre do ano. A oferta global de lugares deverá crescer ligeiramente, embora a companhia planeie disponibilizar menos lugares em classe económica.

Outro contributo importante para o desempenho financeiro vem da parceria com a American Express. Os pagamentos associados a este acordo aumentaram 15% no terceiro trimestre, colocando a Delta no caminho para receber mais de 9 mil milhões de dólares ao longo de 2026.

Entregas de novos aviões e participação nos lucros

Durante o terceiro trimestre, a Delta recebeu 13 aeronaves novas, incluindo Airbus A350-900, A321neo e A220-300, dando continuidade à renovação da frota.

A companhia prevê também distribuir aos trabalhadores quase 900 milhões de dólares relativos aos lucros acumulados nos primeiros nove meses de 2026. O pagamento está previsto para fevereiro de 2027.

Apesar da forte procura e do crescimento das receitas, a evolução dos custos com combustível continua a ser um dos principais desafios da Delta para o resto do ano, limitando os benefícios financeiros de tarifas mais elevadas e da procura por viagens aéreas.