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A escalada dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito em curso no Médio Oriente, está a obrigar várias companhias aéreas a reduzir significativamente a sua operação. Entre as mais afetadas estão a Scandinavian Airlines e a Air New Zealand, que já anunciaram cortes em milhares de voos.

A transportadora escandinava confirmou o cancelamento de cerca de mil voos ao longo de abril de 2026, depois de já ter eliminado várias centenas durante o mês de março. A maioria destas ligações corresponde a rotas de curta distância, sobretudo dentro da Noruega e na região da Escandinávia, onde existem alternativas de transporte e onde as margens de lucro são mais reduzidas. Para comparação, a companhia realiza habitualmente cerca de 800 voos diários.

O aumento acentuado do preço do combustível de aviação surge na sequência dos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no final de fevereiro. Desde então, o custo do jet fuel praticamente duplicou. A resposta iraniana, que tem visado infraestruturas petrolíferas no Golfo e navios que atravessam o Estreito de Ormuz, tem contribuído para manter a pressão sobre os mercados energéticos.

Apesar de ter pouca exposição direta ao Médio Oriente, a SAS poderá rever alguns planos de expansão. Estava prevista a abertura de uma rota sazonal entre Copenhaga e o aeroporto de Dubai Al Maktoum, operada com aeronaves Airbus A320neo, entre outubro de 2026 e março de 2027. No entanto, a concretização deste projeto é agora incerta.

Também a Air New Zealand anunciou uma redução de cerca de 5% na sua oferta de voos até maio, o que deverá traduzir-se no cancelamento de aproximadamente 1.100 ligações. A companhia neozelandesa atribui igualmente esta decisão à subida dos custos com combustível.

Na região Ásia-Pacífico, o cenário poderá agravar-se. Restrições à exportação de combustíveis impostas por países como a China e a Tailândia estão a aumentar a pressão sobre o setor. A Vietnam Airlines já admitiu a possibilidade de cancelar voos em breve, enquanto transportadoras como a Qantas, a Cathay Pacific, a AirAsia e a Thai Airways optaram por aumentar tarifas para compensar os custos acrescidos.

O setor da aviação enfrenta, assim, um período de incerteza, com o risco de novos cortes e preços mais elevados para os passageiros nos próximos meses.