As buscas pelos destroços do voo MH370 da Malaysia Airlines foram retomadas esta terça-feira, mais de uma década após o desaparecimento da aeronave com 239 pessoas a bordo. Trata-se da terceira grande tentativa de localizar o avião, segundo avançou o jornal britânico The Guardian.

A nova operação está a ser conduzida pela empresa Ocean Infinity, especializada em tecnologia robótica marítima, e parte de Perth, na Austrália. Os trabalhos tinham sido iniciados no início deste ano e prolongaram-se por 22 dias, mas acabaram suspensos em abril devido às más condições meteorológicas no Oceano Índico.

De acordo com o Ministério dos Transportes da Malásia, as buscas no fundo do oceano decorrerão de forma intermitente ao longo de 55 dias. A operação recorrerá a submarinos autónomos, drones de águas profundas e tecnologia avançada de varrimento do leito marinho, cobrindo uma área de cerca de 15 mil quilómetros quadrados, considerada a mais provável para a localização dos destroços.

O acordo entre o Governo malaio e a Ocean Infinity prevê um pagamento de 70 milhões de dólares norte-americanos, mas apenas no caso de serem encontrados fragmentos da aeronave, refere o The Guardian.

O voo MH370, operado por um Boeing 777, desapareceu a 8 de março de 2014, quando realizava a ligação entre Kuala Lumpur e Pequim. A bordo seguiam 12 tripulantes e 227 passageiros, maioritariamente cidadãos chineses, além de passageiros de várias nacionalidades, incluindo da Malásia, Austrália, Indonésia, Índia, França e Estados Unidos.

O desaparecimento do MH370 continua a ser um dos maiores mistérios da aviação mundial. As buscas iniciais, lideradas pela Austrália em cooperação com a Malásia e a China, abrangeram uma vasta área do fundo do mar, mas foram encerradas em 2017 sem resultados conclusivos. Em 2018, a Ocean Infinity realizou uma nova tentativa, igualmente sem sucesso.

Ao longo dos anos, vários fragmentos confirmados como pertencentes ao avião foram encontrados em ilhas do Oceano Índico e na costa africana, o que permitiu restringir as áreas de busca. No entanto, o local exacto onde a aeronave se encontra permanece desconhecido.

Uma investigação oficial da Malásia concluiu que o avião foi desviado manualmente durante o voo, sem excluir a hipótese de interferência ilegal por terceiros. As autoridades rejeitaram, contudo, teorias que apontavam para suicídio dos pilotos ou para uma falha mecânica.

A retoma das buscas foi recebida com esperança pelas famílias das vítimas. Em declarações ao The Guardian, Danica Weeks, esposa de um passageiro australiano, afirmou que a família “nunca deixou de desejar respostas” e espera que esta nova fase permita alcançar “clareza e tranquilidade” após anos de incerteza.

Entretanto, um tribunal de Pequim determinou recentemente que a Malaysia Airlines pague indemnizações às famílias de passageiros desaparecidos no MH370. A justiça chinesa ordenou o pagamento de 2,9 milhões de yuans — cerca de 2,24 milhões de reais — a cada uma das famílias de oito passageiros, a título de compensação por morte, despesas funerárias e danos morais.

Apesar de o paradeiro dos passageiros continuar desconhecido, todos foram declarados legalmente mortos. O tribunal indicou ainda que 23 processos permanecem pendentes, enquanto em 47 casos as famílias chegaram a acordos com a companhia aérea e desistiram das acções judiciais.