A Boeing deu mais um passo importante rumo à certificação do 737 MAX 10, ao concluir com sucesso os exigentes testes de energia máxima de travagem na base aérea de Edwards, nos Estados Unidos. O ensaio demonstrou que a maior variante da família MAX consegue parar em segurança mesmo num cenário extremo de descolagem abortada.
Durante o teste, a fabricante norte-americana levou o avião ao limite operacional. O 737-10 foi carregado até ao peso máximo de descolagem, equipado com travões desgastados até 98% da sua vida útil e acelerado até aos 180 nós (cerca de 333 km/h). A aeronave foi depois imobilizada utilizando apenas os travões, sem recurso aos inversores de potência dos motores.
Segundo o piloto de testes da Boeing, capitão Kevin Zeznick, o objetivo era reproduzir “o pior cenário possível”. “Carregamos o avião até ao máximo e atingimos uma velocidade típica de descolagem para demonstrar que a aeronave consegue parar e manter-se segura”, explicou.
Travagem extrema provocou incêndio controlado
Os testes de energia máxima de travagem estão entre os mais dramáticos do processo de certificação, já que o calor gerado pode provocar incêndios nos travões. No caso do MAX 10, a aeronave conseguiu parar em cerca de 3.350 metros numa pista com 4.570 metros de comprimento.
As temperaturas nos travões ultrapassaram os 1.370 graus Celsius (2.500 graus Fahrenheit), levando ao derretimento dos fusíveis de segurança das rodas, concebidos para libertar a pressão dos pneus de forma controlada.
As equipas de emergência aguardaram cinco minutos antes de se aproximarem da aeronave para extinguir as chamas, simulando o tempo médio de resposta dos bombeiros aeroportuários após uma descolagem abortada. Todos os quatro travões resistiram ao período exigido sem falhas.
A engenheira de testes Lauren Auerbach afirmou que “os travões comportaram-se exatamente como previsto”, destacando o desempenho do sistema anti-derrapagem.
MAX 10 recebeu travões mais potentes
O 737 MAX 10 é o maior modelo da família MAX e pode transportar até 230 passageiros, mais 10 do que o MAX 9. Para suportar o aumento de peso e dimensão, a Boeing teve de reforçar o sistema de travagem e modificar o trem de aterragem.
O engenheiro Evan Preston descreveu os novos travões como “os mais potentes alguma vez instalados num 737”, acrescentando que o sistema recebeu um quinto rotor e um tubo de torque mais longo para aumentar a força de travagem.
Como o 737 MAX utiliza dois fornecedores diferentes de travões, a Boeing teve de realizar dois testes distintos de energia máxima de travagem. Ambos foram concluídos com sucesso.
Certificação continua em curso
O 737 MAX 10 é considerado a principal resposta da Boeing ao Airbus A321neo no segmento dos aviões narrowbody de maior capacidade. O modelo é particularmente importante para companhias como a United Airlines, a Delta Air Lines e a Ryanair, que fizeram encomendas significativas do aparelho.
Apesar dos atrasos sucessivos na certificação terem obrigado várias companhias a rever os seus planos de frota, a Boeing mantém o objetivo de certificar o MAX 10 e o MAX 7 ainda este ano.
Durante a apresentação de resultados do primeiro trimestre, o CEO da Boeing, Kelly Ortberg, mostrou-se otimista quanto ao progresso do programa. Segundo o responsável, a fabricante entrou na fase final dos testes de voo e certificação, incluindo sistemas como piloto automático, autothrottle e proteção anti-gelo dos motores.
Se o calendário for cumprido, as primeiras entregas do 737 MAX 10 deverão arrancar em 2027, permitindo finalmente a entrada ao serviço comercial de uma aeronave aguardada há vários anos pelas companhias aéreas.





