O corte no fornecimento de combustível aos motores do avião da Air India que se despenhou no passado mês de junho foi a principal causa do acidente, segundo o relatório preliminar divulgado esta sexta-feira pelo Gabinete de Investigação de Acidentes Aéreos da Índia.

O voo AI171, que tinha como destino o aeroporto de Gatwick, em Londres, descolou de Ahmedabad, no estado indiano de Gujarat, no dia 12 de junho, mas caiu pouco depois da descolagem. Das 242 pessoas a bordo, apenas uma sobreviveu. Várias vítimas mortais foram também registadas em terra, uma vez que o aparelho colidiu com o edifício do internato do hospital BJ Medical College.

De acordo com o relatório, os interruptores de controlo de combustível (fuel control switches) do cockpit foram acionados para a posição de corte (CUTOFF), desligando os dois motores da aeronave. A transição ocorreu com um intervalo de apenas um segundo entre ambos os motores, quando o avião já tinha atingido uma velocidade de 180 nós.

As caixas negras do Boeing 787 Dreamliner foram recuperadas com sucesso e forneceram aos investigadores 49 horas de dados de voo e duas horas de gravações de áudio do cockpit, incluindo o momento do acidente. Numa dessas gravações, um dos pilotos questiona o outro sobre quem desligou os motores. Este respondeu: “Não fui eu.”

As imagens de segurança do aeroporto mostram que a turbina Ram Air (RAT) – um dispositivo de emergência para fornecimento de energia – foi ativada durante a subida inicial, indício de que o avião ficou sem energia pouco depois da descolagem. Poucos segundos antes do impacto, os pilotos terão tentado reverter a situação e reiniciar os motores, mas a recuperação não foi possível a tempo.

Os dados recolhidos também indicam que a aeronave estava dentro dos limites de peso permitidos e sem carga perigosa a bordo. Os flaps das asas estavam corretamente posicionados para a descolagem e o trem de aterragem encontrava-se ainda em posição baixa, como é normal nos momentos iniciais do voo. A qualidade do combustível foi verificada e considerada adequada, não tendo sido observada atividade significativa de aves na rota de descolagem.

O comandante da aeronave, de 56 anos, tinha acumulado mais de 15 mil horas de voo. O primeiro oficial, de 32 anos, contava com cerca de 3.400 horas de experiência.

A bordo seguiam 169 cidadãos indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadiano. A aeronave era um Boeing 787-8 Dreamliner e a chegada ao Reino Unido estava prevista para as 18h25 (hora local).

O relatório preliminar levanta agora sérias questões sobre o que levou ao corte acidental de combustível e se terá havido erro humano ou falha técnica. A investigação prossegue para apurar todas as circunstâncias do acidente.

Leia o relatório preliminar na íntegra aqui: https://aaib.gov.in/Reports/2025/Accident/Preliminary%20Report%20VT-ANB.pdf