A ANA – Aeroportos de Portugal está a ultimar uma nova proposta para o futuro aeroporto de Lisboa, a ser construído no Campo de Tiro de Alcochete, com o objetivo de apresentar uma solução mais económica e ajustada às necessidades actuais da aviação comercial. A informação foi avançada pelo CEO da concessionária Vinci, Thierry Ligonnière.
A proposta será incluída no Relatório das Consultas, documento que resulta da auscultação de 45 entidades – entre as quais companhias aéreas, operadores aeroportuários, autoridades de aviação civil e autarquias – e que deverá ser entregue ao Governo até 17 de julho.
Segundo Thierry Ligonnière, esta nova abordagem visa responder às preocupações levantadas com o projecto inicial, nomeadamente no que diz respeito ao custo elevado e ao impacto das taxas aeroportuárias. O executivo sublinhou que a redução dos custos permitirá aplicar taxas mais competitivas, o que poderá beneficiar tanto operadores como passageiros.
Uma das alterações mais relevantes prende-se com o comprimento das duas pistas inicialmente previstas. O responsável da ANA considerou desnecessário construir pistas de 4.000 metros para receber aviões como o Airbus A380, propondo em alternativa comprimentos mais adequados à maioria das aeronaves comerciais actualmente em operação. Já no relatório preliminar entregue em janeiro, a concessionária apontava que pistas com cerca de 3.000 metros seriam suficientes para garantir a segurança das aterragens.
Também a configuração do terminal, bem como a sua área total, está a ser revista para acomodar as diferentes exigências das companhias low cost e das operadoras premium, numa tentativa de adaptar o projecto à diversidade da operação aérea em Lisboa.
O novo relatório propõe ainda alterações ao anexo 16 do contrato de concessão, onde se definem as características técnicas mínimas da nova infraestrutura. Qualquer revisão aos prazos de concessão ou às taxas a aplicar dependerá, no entanto, da aprovação por parte do Governo.
O plano original da ANA, apresentado em dezembro passado, previa um investimento de 8,5 mil milhões de euros, sustentado por um aumento das taxas aeroportuárias e pela extensão do contrato de concessão por mais 30 anos, até 2092.
Caso o Executivo aceite as novas especificações técnicas, a ANA/Vinci poderá avançar para a elaboração do estudo prévio necessário à Avaliação de Impacto Ambiental. O prazo para concluir este processo e preparar a candidatura final termina em janeiro de 2028, embora possa ser antecipado.
