A investigação ao acidente com um Learjet 60, que se despenhou a 1 de novembro perto de West Palm Beach, na Florida, está a revelar novos elementos sobre os momentos que antecederam a queda. Os investigadores confirmaram que uma parte do estabilizador horizontal se separou da aeronave antes do impacto, mas ainda não conseguiram determinar se essa ocorrência esteve na origem da perda de controlo ou se resultou das elevadas cargas aerodinâmicas durante a descida descontrolada.

O acidente envolveu o Learjet 60 com a matrícula N722BD, operado pela Aurora Aviation, que comercializava os voos sob a marca Upper Jet. A aeronave, construída em 2004, realizava uma ligação entre Austin-Bergstrom, no Texas, e North Eleuthera, nas Bahamas. Morreram os nove ocupantes.

De acordo com a actualização divulgada pelo National Transportation Safety Board (NTSB) a 5 de novembro, os trabalhos de recuperação dos destroços e a análise dos elementos recolhidos continuam em curso. Até ao momento, não foi determinada qualquer causa provável para o acidente.

Descida abrupta precedeu o acidente

Os dados de seguimento de voo disponibilizados pelo Flightradar24 permitem reconstituir parte dos últimos minutos da viagem. O Learjet descolou de Austin por volta das 15h37 UTC e, depois de voar a altitudes mais elevadas, iniciou uma descida em direcção aos 35 mil pés, já sobre o sul da Florida.

Após uma breve subida, a aeronave entrou numa descida acentuada, acompanhada por uma curva à direita, por volta das 17h48 UTC.

As comunicações da tripulação com o controlo de tráfego aéreo acrescentam informação importante sobre a situação a bordo. Segundo os elementos apresentados pelo NTSB, os pilotos reportaram a presença de gelo ligeiro em condições de céu limpo, bem como turbulência moderada, que provocava variações de altitude na ordem dos 700 pés.

A tripulação referiu posteriormente precipitação e solicitou autorização para subir aos 37 mil pés. Pouco depois de receber autorização para efectuar a subida, declarou emergência, reportando uma descida rápida e uma situação de excesso de velocidade (overspeed).

Os dados de seguimento disponíveis mostram a dimensão da perda de altitude. Entre as 17h48min39s e as 17h49min23s UTC, a altitude registada passou de 31.350 para 8.750 pés. Ou seja, o avião perdeu cerca de 22.600 pés em apenas 44 segundos, correspondendo a uma razão média de descida próxima dos 30.800 pés por minuto.

Importa, contudo, sublinhar que estes valores resultam dos dados de seguimento do voo e não de uma reconstrução completa dos parâmetros registados a bordo. Também não permitem, por si só, determinar a velocidade real da aeronave ou confirmar em que momento ocorreu a perda de controlo.

Parte do elevador encontrada a vários quilómetros do local do impacto

Um dos elementos mais relevantes da investigação é a recuperação de parte do elevador esquerdo da aeronave. Durante uma actualização realizada a 3 de novembro, Thomas Chapman, membro do NTSB, confirmou que os investigadores tinham localizado a maior parte desta superfície de controlo, dividida em três peças.

Os destroços foram encontrados a distâncias compreendidas entre aproximadamente 2,1 e 6,1 quilómetros do local do impacto.

O elevador é uma superfície móvel instalada no estabilizador horizontal, na cauda do avião, responsável pelo controlo dos movimentos de nariz para cima e para baixo.

A sua localização, afastada do ponto onde a aeronave se despenhou, confirma que ocorreu uma separação ainda durante o voo. No entanto, permanece por esclarecer se o desprendimento do componente desencadeou a perda de controlo ou se aconteceu posteriormente, devido às forças aerodinâmicas extremas a que o avião terá sido sujeito durante a descida.

Esta distinção é fundamental para determinar a sequência de acontecimentos que conduziu ao acidente.

As condições meteorológicas também estão a ser analisadas pelos investigadores. Apesar de a tripulação ter reportado gelo e turbulência, não existem, nesta fase, conclusões que permitam estabelecer uma relação directa entre esses fenómenos e a separação do componente da cauda.

Recuperação dos destroços prossegue

Na actualização de 5 de novembro, o NTSB informou que os trabalhos de escavação tinham começado na noite anterior. Durante estas operações foi também localizada uma parte de um dos motores.

Outros destroços foram recuperados em edifícios nas proximidades do local do acidente, incluindo elementos encontrados em telhados. Todo o material recolhido será transferido para um local seguro, onde ficará disponível para análise técnica.

Os registos de manutenção indicavam que o Learjet estava equipado com um gravador de voz do cockpit (CVR). Contudo, numa fase inicial, os investigadores ainda não tinham conseguido confirmar se o equipamento se encontrava a bordo no momento do acidente. A última actualização oficial não confirmou a sua recuperação.

A análise dos destroços, dos sistemas de controlo de voo, das condições meteorológicas e das eventuais gravações a bordo deverá permitir reconstruir com maior precisão os últimos momentos da aeronave.

Para já, a investigação confirmou uma descida extremamente rápida e a separação de parte do elevador antes do impacto. O que continua por esclarecer é se a falha estrutural esteve na origem do acidente ou se foi uma consequência da situação de emergência que já se encontrava em curso.