A venda de três aeronaves de transporte militar KC-390 por parte da Embraer à Grécia está avaliada em aproximadamente 590 milhões de euros. Esta operação deverá proporcionar ao Estado português um retorno financeiro de cerca de 33 milhões de euros, correspondente a 11 milhões por cada aeronave.

O acordo entre Portugal e a Grécia será formalizado esta segunda-feira, numa cerimónia no Ministério da Defesa grego, em Atenas, agendada para as 11h45 locais (09h45 em Lisboa). O momento será antecedido por uma reunião entre o ministro da Defesa Nacional português, Nuno Melo, e o seu homólogo grego, Nikos Dendias, bem como por um encontro entre as delegações dos dois países.

Segundo informação do Ministério da Defesa Nacional, o montante acordado contempla não apenas os três aviões produzidos pela fabricante brasileira Embraer, mas também equipamentos específicos e serviços de apoio associados à aquisição. O retorno financeiro previsto para Portugal será direcionado para a indústria nacional.

Participação da indústria portuguesa no KC-390

A componente financeira que reverte para Portugal está relacionada com o envolvimento nacional no desenvolvimento e fabrico do KC-390, assim como com o trabalho de adaptação e certificação da aeronave para cumprir os requisitos operacionais da NATO. Esta participação permite igualmente que o avião seja disponibilizado a outros países membros da Aliança Atlântica.

O documento será assinado por António José Baptista, diretor-geral de Armamento e Património da Defesa Nacional, e pelo major-general Ioannis Bouras, responsável pela Direção de Investimentos e Armamento de Defesa da Grécia. A cerimónia contará com a presença dos dois ministros da Defesa e do chefe do Estado-Maior da Força Aérea portuguesa, general Sérgio Pereira.

O calendário estabelecido prevê que o primeiro KC-390 seja entregue à Grécia em 2027. As restantes aeronaves deverão ser disponibilizadas em 2029 e 2031, respetivamente. Os três aparelhos terão a configuração desenvolvida por Portugal, que assegura a conformidade com os requisitos definidos pela NATO.

Recorde-se que, em setembro de 2025, Portugal e a Embraer assinaram uma alteração ao contrato de aquisição dos KC-390 que passou a contemplar a possibilidade de comprar até dez aeronaves adicionais, destinadas à posterior comercialização junto de países aliados. Na altura, Nuno Melo tinha apontado para um retorno de aproximadamente 11,3 milhões de euros por cada avião vendido.

Apoio à Força Aérea grega e formação em Portugal

Para além das três aeronaves, o contrato contempla equipamentos de missão, apoio à entrada em operação e serviços de assistência à Força Aérea grega.

Portugal terá também um papel relevante na concretização do programa, ficando encarregado de acompanhar e supervisionar a produção, participar nos processos de aceitação e entrega, assegurar a transição operacional e ministrar a formação inicial aos pilotos, restantes tripulantes e técnicos de manutenção gregos.

A componente de formação terá lugar na Base Aérea de Beja, em Portugal, onde as equipas gregas receberão preparação para operar e assegurar a manutenção dos novos aviões.

O KC-390 é uma plataforma de transporte militar multifunções, concebida para desempenhar diferentes tipos de missões. Entre as suas capacidades encontram-se o transporte de tropas e equipamentos, o combate a incêndios rurais, operações de busca e salvamento, evacuações médicas e missões de assistência humanitária.

Investimento financiado pelo contrato com a Grécia

A operação foi autorizada pelo Conselho de Ministros através de uma resolução publicada a 22 de outubro, que prevê uma despesa de 589,98 milhões de euros, acrescida de IVA, com execução financeira distribuída entre 2026 e 2031.

De acordo com a decisão governamental, o investimento será integralmente suportado pelas receitas provenientes do contrato celebrado com a Grécia, não representando, assim, um encargo líquido equivalente para o Estado português.

Do montante global, aproximadamente 532,9 milhões de euros destinam-se à aquisição das três aeronaves e de um pacote de apoio logístico necessário à sua entrada em serviço. Os restantes 57,1 milhões de euros abrangem equipamentos de guerra eletrónica (EW Suite), formação, assistência logística, sustentação de equipas de apoio técnico na Grécia, gestão do programa e outras atividades complementares.

A aproximação entre os dois países nesta área foi reforçada em maio deste ano, quando o ministro da Defesa grego visitou Portugal e se reuniu com Nuno Melo. Na ocasião, os responsáveis discutiram formas de aprofundar a cooperação bilateral, incluindo a aquisição dos KC-390 que agora será formalizada.