A American Airlines reviu em baixa as suas perspetivas financeiras para 2026 e admite agora terminar o ano com prejuízos. A escalada dos preços do combustível para aviação está a penalizar os resultados da companhia norte-americana, anulando as expectativas de recuperação que existiam no início do ano.

A 22 de outubro, aquando da apresentação dos resultados do terceiro trimestre, a transportadora passou a prever um prejuízo ajustado entre 1,00 e 1,60 dólares por ação em 2026. Em julho, as estimativas apontavam para um intervalo entre um prejuízo de 0,65 dólares e um lucro de igual valor por ação.

Custos com combustível aumentam 67,5%

O aumento das despesas com combustível foi um dos principais fatores que condicionaram o desempenho financeiro da companhia. No terceiro trimestre de 2026, os custos com combustível para aviação atingiram 4,6 mil milhões de dólares, mais 67,5% do que os 2,7 mil milhões registados no período homólogo de 2025.

A American Airlines pagou, em média, 3,85 dólares por galão de combustível durante o trimestre, o que representou um acréscimo de 1,9 mil milhões de dólares nas despesas face ao mesmo período do ano anterior.

As perspetivas para os próximos meses continuam igualmente pressionadas. A companhia estima que o preço médio do combustível possa atingir cerca de 4,70 dólares por galão, quase o dobro do valor pago no quarto trimestre de 2025. A concretizar-se esta previsão, os custos com combustível deverão aumentar aproximadamente 2,8 mil milhões de dólares em comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

Perante este cenário, a transportadora admite abrandar a expansão da sua rede em 2027, prevendo um ritmo de crescimento inferior ao de 2026.

Receitas atingem valor recorde no terceiro trimestre

Apesar da pressão sobre os custos, a American Airlines apresentou um crescimento expressivo das receitas entre julho e setembro. A faturação totalizou 16,3 mil milhões de dólares, um aumento de 19,3% face aos 14 mil milhões registados no terceiro trimestre de 2025.

Ainda assim, a melhoria das receitas não foi suficiente para compensar o agravamento das despesas. A companhia registou um prejuízo líquido de 269 milhões de dólares no terceiro trimestre, mais do dobro dos 114 milhões de dólares de perdas contabilizados no período homólogo.

Robert Isom, presidente executivo da American Airlines, destacou o desempenho comercial da empresa, sublinhando que a companhia alcançou receitas trimestrais recorde e o maior crescimento homólogo da faturação da sua carreira, com um contributo importante do segmento premium.

O responsável afirmou que os investimentos realizados na estratégia comercial estão a produzir resultados e manifestou a expectativa de que a empresa volte a alcançar um novo máximo de receitas no último trimestre do ano.

No entanto, Isom reconheceu o impacto significativo dos preços historicamente elevados dos combustíveis nos resultados financeiros, salientando que a prioridade continua a ser recuperar a rentabilidade e reforçar a posição da companhia a longo prazo.

A estratégia comercial da American Airlines assenta em quatro pilares: melhorar a experiência dos passageiros, expandir a rede global, aumentar as receitas provenientes dos serviços premium e reforçar os programas de fidelização.

Os resultados do terceiro trimestre demonstram, assim, o contraste entre o crescimento da atividade comercial da transportadora e as dificuldades em transformar esse desempenho em lucros, num contexto de forte pressão dos custos operacionais.