O CEO da Airbus Helicopters, Matthieu Louvot, revelou durante os MDays 2026, em Marignane, França, os principais objetivos estratégicos da empresa para os próximos anos, destacando o desenvolvimento de uma nova geração de helicópteros militares, a integração de drones nas operações e a aposta em tecnologias de voo autónomo.

Durante um encontro com jornalistas internacionais, no qual esteve presente a Aviação TV, Matthieu Louvot explicou que a indústria europeia precisa de começar a preparar os helicópteros militares que irão substituir os atuais modelos nas próximas décadas.

Segundo o responsável, na década de 2030, muitos dos helicópteros militares atualmente utilizados na Europa terão conceitos de desenvolvimento com várias décadas, tornando necessária uma nova geração de equipamentos adaptados às exigências dos futuros cenários de combate.

NATO e o futuro dos helicópteros militares

Um dos temas centrais foi o programa Next Generation Rotorcraft Capability (NGRC), promovido no âmbito da NATO, destinado a estudar as capacidades dos futuros helicópteros militares.

A Airbus pretende apresentar soluções que combinem maior conectividade, sistemas de missão avançados, autonomia, proteção e custos operacionais mais reduzidos.

O CEO destacou que os futuros helicópteros terão de estar permanentemente ligados aos restantes meios presentes no campo de batalha, permitindo a partilha de informações e uma maior coordenação das operações.

Outra prioridade será a manutenção. Matthieu Louvot reconheceu que os helicópteros são equipamentos particularmente exigentes devido às condições em que operam, frequentemente a baixa altitude e em ambientes com poeiras, areia e outros elementos que aceleram o desgaste dos componentes.

A Airbus pretende desenvolver sistemas mais simples de manter e atualizar, recorrendo a arquiteturas abertas e tecnologias que permitam introduzir novas funcionalidades através de software.

Airbus Racer poderá dar origem a um helicóptero de produção

Questionado sobre o futuro do demonstrador tecnológico Airbus Racer, Matthieu Louvot confirmou que o conceito poderá servir de base ao desenvolvimento de um helicóptero operacional.

O Racer utiliza uma configuração composta, combinando um rotor principal com hélices laterais e asas, permitindo alcançar velocidades superiores às dos helicópteros convencionais.

Segundo o CEO, esta arquitetura apresenta vantagens relativamente a outras soluções de alta velocidade, nomeadamente os convertiplanos, por preservar características fundamentais dos helicópteros tradicionais.

Louvot destacou a importância de manter a capacidade de voo estacionário, a operação a baixas velocidades e a possibilidade de realizar missões em espaços reduzidos.

O responsável reconheceu que o aumento da velocidade implica compromissos técnicos e financeiros, defendendo que os clientes deverão avaliar cuidadosamente as vantagens operacionais face aos custos adicionais.

Embora considere que a tecnologia do Racer já atingiu um nível de maturidade significativo, esclareceu que a passagem para um programa industrial dependerá das necessidades dos clientes e do financiamento disponível.

Drones serão fundamentais nos futuros helicópteros

Outro dos temas abordados foi a integração de sistemas não tripulados nas operações realizadas por helicópteros. A Airbus está a desenvolver o conceito HTeaming, que permitirá às tripulações controlar drones e receber informações em tempo real através de uma interface integrada.

Matthieu Louvot explicou que o objetivo é criar um sistema capaz de operar diferentes tipos de drones sem obrigar as tripulações a utilizar equipamentos ou interfaces completamente distintos.

A intenção é permitir que os helicópteros comuniquem com drones da própria Airbus e também de outros fabricantes.
O CEO revelou que estão a ser estudadas formas de cooperação com a Quantum Systems para alargar esta interoperabilidade.

Airbus quer conquistar mercado dos drones

O responsável confirmou igualmente a ambição da Airbus Helicopters de conquistar uma posição relevante no mercado dos sistemas não tripulados de descolagem e aterragem vertical.

A estratégia não passa pelos pequenos drones descartáveis utilizados em grande escala nos conflitos atuais, mas por equipamentos destinados a realizar missões repetidas e operações de maior duração.

Entre os produtos mencionados encontra-se o Flexrotor, agora integrado na família U030.

Segundo Matthieu Louvot, este equipamento já está a ser utilizado em operações no Chipre e na região do Báltico, onde tem demonstrado capacidade para funcionar em ambientes particularmente exigentes, incluindo zonas com interferências eletrónicas.

O CEO considerou prematuro apresentar previsões concretas sobre a dimensão futura deste mercado, embora tenha destacado o crescente interesse dos clientes.


Helicópteros autónomos e operações em espaço aéreo civil

A autonomia de voo foi igualmente apontada como uma das principais áreas de investigação. A Airbus pretende desenvolver progressivamente tecnologias que permitam aumentar o nível de autonomia dos helicópteros, mantendo os requisitos de segurança necessários.

Paralelamente, está a trabalhar na certificação e integração de drones no espaço aéreo civil, incluindo operações sobre áreas habitadas.

Matthieu Louvot explicou que a empresa está a colaborar com a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), procurando aproveitar a experiência acumulada na certificação de helicópteros.
O objetivo passa por desenvolver sistemas não tripulados com níveis de segurança adequados às exigências das operações civis.


Parcerias e possíveis aquisições

Questionado sobre a possibilidade de novas aquisições, o CEO não excluiu essa hipótese. A Airbus Helicopters pretende continuar a apostar tanto em parcerias industriais como na aquisição de empresas que detenham tecnologias consideradas estratégicas.

O responsável destacou a importância de assegurar competências próprias em áreas fundamentais, incluindo componentes de transmissões e caixas de engrenagens.

No entanto, esclareceu que a aquisição de fornecedores não constitui uma política generalizada da empresa, sendo avaliada caso a caso.

Europa precisa de preparar agora os helicópteros do futuro

Matthieu Louvot defendeu que os próximos anos serão decisivos para a Europa consolidar as tecnologias necessárias ao desenvolvimento de uma nova geração de helicópteros militares.

A combinação entre conectividade, autonomia, integração de drones, maior proteção e redução dos custos de manutenção deverá marcar a evolução do setor.