A Força Aérea Espanhola selecionou o Airbus A321 como plataforma para o seu futuro sistema de inteligência, vigilância e recolha de sinais, integrado no programa SCAPA. O projecto pretende recuperar e reforçar as capacidades espanholas de obtenção de informações através do espectro electromagnético.
A escolha do A321 foi divulgada pela Revista de Aeronáutica y Astronáutica, publicação oficial da Força Aérea de Espanha, e representa um passo importante no desenvolvimento de uma nova capacidade nacional de SIGINT (Signals Intelligence).
O programa SCAPA está integrado na iniciativa denominada Substituição de Sistemas Anteriores no Espectro Electromagnético – Santiago Fase II. Em Novembro de 2025, a Airbus e a Indra receberam 5,99 milhões de euros para a realização de estudos relacionados com o desenvolvimento do futuro sistema.
Os trabalhos abrangem não só a definição dos equipamentos de recolha e análise de sinais que serão instalados a bordo, mas também a avaliação e configuração da aeronave que servirá como plataforma para a missão.
Um projecto distinto do GlobalEye
Apesar de ambos estarem relacionados com capacidades de vigilância e inteligência, o programa SCAPA é independente da iniciativa de aquisição conjunta de aeronaves Saab GlobalEye anunciada no âmbito da NATO.
Espanha integrou o grupo de países da Aliança Atlântica interessado na aquisição conjunta de dez GlobalEye, uma plataforma de alerta aéreo antecipado e controlo (AEW&C) baseada no Bombardier Global 6000. A selecção deste sistema pela NATO ocorreu em Julho de 2026.
O desenvolvimento do SCAPA permite, contudo, a Madrid manter uma capacidade própria para determinadas missões de inteligência e vigilância, reforçando a autonomia tecnológica do país e proporcionando oportunidades adicionais à indústria espanhola.
A321 poderá abrir caminho a outras missões
A escolha do A321 poderá ainda ter consequências para além da missão SIGINT. Segundo a publicação militar espanhola, a experiência adquirida com o programa Santiago II-SCAPA poderá vir a servir de base para o desenvolvimento de uma futura aeronave espanhola de alerta aéreo antecipado e controlo (AEW).
Uma eventual solução deste tipo poderia recorrer novamente à Airbus e aproveitar o conhecimento adquirido durante a integração dos sistemas de missão no A321. Desta forma, Espanha poderia vir a dispor de uma alternativa nacional para algumas das capacidades actualmente asseguradas pelo GlobalEye.
Por enquanto, não existe um calendário oficial para a concretização do programa. As estimativas apontam para um período de pelo menos cinco anos entre o início efectivo do desenvolvimento, integração dos sistemas e transformação da aeronave e a conclusão do primeiro exemplar.
Também permanece em aberto a origem dos A321 que serão utilizados no programa. Uma das possibilidades passa pela aquisição de aeronaves A321neo novas, embora a elevada procura mundial por este modelo possa dificultar os prazos de entrega e aumentar o tempo necessário para disponibilizar a plataforma à Força Aérea Espanhola.
Outra alternativa seria recorrer a A321ceo usados, da geração anterior. Esta solução permitiria reduzir potencialmente os custos e encurtar os prazos de disponibilidade, existindo aeronaves deste tipo que poderão ser obtidas no mercado, incluindo através da Iberia.
A escolha definitiva da plataforma e a configuração dos sistemas de missão deverão ser determinantes para os custos, calendário e alcance operacional da futura capacidade SIGINT espanhola.





