easyJet A320

A greve dos tripulantes de cabina da easyJet em Portugal começa esta sexta-feira, 2 de outubro, e prolonga-se até 6 de outubro. Segundo o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), pelo menos 443 voos com origem nas bases de Lisboa, Porto e Faro já foram cancelados devido à paralisação.

De acordo com Ana Dias, dirigente do SNPVAC, cerca de 80% das operações previstas entre estas três bases foram já canceladas para o período da greve. A responsável sindical considera que o impacto da paralisação é já significativo.

Apesar dos cancelamentos anunciados, continuam previstos vários voos que poderão vir a ser afetados pela greve. No Porto, estão ainda programadas mais de 30 operações, enquanto em Lisboa permanecem mais de 60 e em Faro oito.

O sindicato admite que parte destes voos possa ser realizada através de tripulações provenientes de outras bases da easyJet na Europa. Ana Dias afirmou que tripulações oriundas de França chegaram entretanto ao Porto e poderão ser utilizadas para assegurar voos durante a paralisação.

O recurso a trabalhadores de outras bases e a eventual utilização de elementos das chefias para garantir operações está também a ser contestado pelo sindicato. Numa reunião realizada na quarta-feira, a easyJet terá indicado que os trabalhadores pertencentes às chefias estavam, à partida, destacados para funções administrativas.

O SNPVAC admite recorrer aos tribunais caso a companhia avance com estas soluções durante a greve. O sindicato recorda ainda que já apresentou várias queixas junto da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), algumas das quais terão resultado na aplicação de coimas à empresa.

easyJet prevê assegurar 55% dos voos

A easyJet apresenta, contudo, uma previsão diferente para o impacto da paralisação. Contactada pela Lusa, a companhia indicou que espera conseguir realizar cerca de 55% da sua programação durante os cinco dias de greve.

A transportadora refere que os serviços mínimos definidos pelas autoridades representam aproximadamente 22% da operação da easyJet baseada em Portugal.

A companhia explica, contudo, que também existem voos de e para Portugal operados por aviões e tripulações de outras bases europeias. Essas operações não estão abrangidas pela greve dos tripulantes baseados em Portugal.

A easyJet assegura que a utilização destas tripulações é feita de acordo com a legislação e regulamentação aplicáveis e permitirá manter uma parte relevante da programação prevista, procurando reduzir os efeitos da paralisação nos passageiros.

Conflito laboral prolonga-se há vários meses

Para o SNPVAC, a greve resulta de um conflito laboral que permanece sem solução. Ana Dias acusa a companhia de não ter apresentado uma resposta suficiente às reivindicações dos tripulantes e considera que a proposta mais recente da empresa representa apenas um acréscimo de 0,7%.

Entre as questões que estão na origem do conflito encontram-se a estabilidade das escalas, a progressão salarial associada à antiguidade e as condições em negociação para o novo Acordo de Empresa.

O sindicato contesta particularmente as frequentes alterações aos horários e escalas, alegando que os tripulantes podem ficar sem saber com antecedência suficiente quais serão as suas funções no dia seguinte.

Outra das reivindicações passa pela criação de escalões de antiguidade. O SNPVAC considera que o atual modelo pode permitir que um tripulante com apenas um ano de serviço aufira o mesmo que outro trabalhador com mais de 20 anos de antiguidade.

A easyJet, por sua vez, afirma estar “extremamente desapontada” com a concretização da greve. A companhia diz ter desenvolvido esforços para manter o diálogo com os representantes dos trabalhadores e alcançar um entendimento, lamentando os constrangimentos que a paralisação poderá provocar aos passageiros.

A primeira greve está marcada para decorrer entre 2 e 6 de outubro. Os tripulantes têm ainda uma segunda paralisação agendada para 19 a 23 de dezembro.