A onda recente de greves na Lufthansa, que já levou ao cancelamento de centenas de voos, está a gerar apreensão entre os pilotos portugueses ligados ao grupo TAP Air Portugal. Estas paralisações, convocadas por sindicatos como o VC Cockpit — que representa cerca de 10.000 pilotos na Alemanha — resultam, entre outros fatores, da ausência de propostas relativas aos benefícios do fundo de pensões e de impasses nas negociações laborais.

Nos últimos dias, o VC Cockpit anunciou novas greves, depois de considerar insuficientes as respostas da Lufthansa e da Lufthansa Cargo. Também outras subsidiárias do grupo, como a Lufthansa CityLine e a Eurowings, não apresentaram propostas consideradas viáveis em matérias de negociação coletiva e remuneração. O sindicato admite mesmo avançar para arbitragem, num contexto em que está igualmente em causa a intenção da empresa de rever acordos anteriores relacionados com pensões, compensações e condições de trabalho.

É neste enquadramento que o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) expressa “preocupação” com a eventual entrada da Lufthansa no capital da TAP, sendo a transportadora alemã uma das candidatas com uma oferta não vinculativa para uma posição minoritária. O SPAC teme que práticas que classifica como “táticas anti-sindicais” e de desrespeito por acordos possam vir a ser replicadas em Portugal, afetando a estabilidade laboral e a eficiência do hub de Lisboa.

Essa posição foi formalizada num pedido de audiência enviado ao ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, pelo presidente do SPAC, Hélder Santinhos. No documento, o sindicato alerta para a necessidade de avaliar não apenas os aspetos financeiros e técnicos de um eventual investidor, mas também a sua conduta no plano laboral.

Embora rejeite “demonizar” a Lufthansa ou excluir qualquer candidato à partida, o SPAC defende que qualquer empresa interessada deve provar, de forma clara e verificável, o respeito pela negociação coletiva, pelos representantes dos trabalhadores e pela estabilidade das relações laborais. O sindicato sublinha ainda que a idoneidade de um potencial comprador deve assentar em três pilares fundamentais: técnico, financeiro e laboral.

Por fim, o SPAC considera que os sinais vindos da Alemanha não podem ser ignorados pelo Estado português. Na sua perspetiva, denúncias de conflitos laborais, greves e ruturas negociais no seio de um candidato devem ser tidas em conta, sob risco de comprometer o futuro estratégico da TAP.