A Ryanair admite a possibilidade de vir a cancelar voos durante o próximo verão caso se verifiquem falhas no abastecimento de combustível na Europa, num cenário que poderá resultar da escalada de tensões no Médio Oriente. A informação foi avançada pelo CEO Michael O’Leary, que alerta para o risco de perturbações no fornecimento de jet fuel já a partir de junho, caso o atual conflito se prolongue além do final de abril.
De acordo com a companhia, os fornecedores indicam que, para já, o abastecimento deverá manter-se estável até ao final de maio, mas o cenário pode alterar-se rapidamente caso haja impacto direto nas exportações de combustíveis a partir da região do Golfo, responsável por uma parte significativa do abastecimento europeu. Estima-se que entre 25% e 30% do combustível de aviação utilizado na Europa tenha origem nesta região, o que aumenta a vulnerabilidade do setor a eventuais ruturas na cadeia de fornecimento.
Caso se verifique uma redução entre 10% e 20% no fornecimento durante os meses de maior procura, como o verão, várias companhias aéreas poderão ser obrigadas a ajustar a sua operação, reduzindo capacidade ou cancelando voos, especialmente em aeroportos com maiores limitações logísticas. Ainda assim, a Ryanair sublinha que, neste momento, não existe impacto direto nas tarifas, mantendo a previsão de um aumento moderado dos preços entre 3% e 4%, bem como um crescimento do tráfego na ordem dos 5% entre abril e junho.
O setor da aviação continua assim altamente dependente da estabilidade geopolítica e energética global, numa altura em que a procura por viagens aéreas se mantém elevada e as companhias procuram garantir operações regulares durante a época alta do verão.





