Cerca de duas dezenas de pessoas manifestaram-se ontem na capital para pedir ao Governo urgência na construção do novo aeroporto de Lisboa, criticando a expansão do Humberto Delgado e exigindo o fim dos voos noturnos.
“É hora, é hora, é hora de o aeroporto ir embora”, gritaram os manifestantes no protesto promovido pela plataforma cívica “Aeroporto Fora, Lisboa Melhora”, com uma concentração junto ao edifício da Culturgest, onde o Governo tem instalados vários ministérios na sede da Caixa Geral de Depósitos, inclusive o das Infraestruturas.
“Este aeroporto está a matar-nos”, “Não se consegue dormir” e “Queremos respirar”, alertaram os protestantes, em mensagens escritas nos cartazes erguidos durante a concentração, exigindo o direito ao descanso e o fim aos voos noturnos entre as 23:00 e as 07:00 e reforçando que é urgente a construção do novo aeroporto.
No final da manifestação, os representantes da plataforma cívica entregaram ao Governo, de forma simbólica, “um ‘kit’ de 1.ª pedra”, com um tijolo, um saquinho de cimento e uma colher de pedreiro, para que se comece a construir o novo aeroporto, previsto para o Campo de Tiro de Alcochete.
Em declarações aos jornalistas, Sérgio Morais, da plataforma “Aeroporto Fora, Lisboa Melhora”, defendeu a construção urgente da nova infraestrutura aeroportuária da região, com o acelerar das obras, considerando que o atual aeroporto no centro da capital faz “muito mal à saúde” de quem reside, trabalha ou estuda em zonas afetadas pelo ruído e poluição dos aviões.
Sobre a previsão do Governo e da ANA Aeroportos de ter o novo aeroporto em 2037, referiu que a plataforma cívica se revê “nas conclusões da Comissão Técnica Independente, que disse que era possível construir o novo aeroporto de raiz em seis anos”.
Discordando e não compreendendo o “dilatar dos prazos”, Sérgio Morais frisou que tal “tem causado uma pressão para a expansão do atual aeroporto, que vai prejudicar ainda mais” a vida da população de Lisboa, e afirmou que “a reivindicação mais urgente” é o fim dos voos noturnos.
“É inaceitável a expansão, é preciso arranjar outras medidas que não passem pela expansão do aeroporto e, por isso, mais uma vez, é necessário acelerar a construção do novo”, reclamou, referindo-se ao previsto aumento de voos por hora, de 38 para 42.
Também da plataforma “Aeroporto Fora, Lisboa Melhora”, Isabel Colher esteve na comitiva que hoje se reuniu com membros do gabinete do secretário de Estado das Infraestruturas: “Foi-nos dito que compreendiam perfeitamente a nossa posição, […] que estão do nosso lado e do lado das populações e que o grande interesse do Governo é mitigar os problemas, e então, nesse sentido, criaram essa linha de apoio de mitigação do ruído, que vão dar apoios para os edifícios.”
Isabel Colher referiu ainda que, nessa reunião, foi dada a garantia de que o Governo está “a tentar fazer por tudo” para que não haja voos entre a 01:00 e as 05:00, ressalvando que “existem esses voos, apesar de aparentemente ser proibido”.
Junto dos manifestantes estiveram militantes do PCP e do BE em apoio à luta da população pelo fim do aeroporto na cidade de Lisboa e pela construção da nova infraestrutura aeroportuária em Alcochete.
Durante o protesto, houve quem lembrasse que o processo do novo aeroporto da região de Lisboa se arrasta há 57 anos, desde 1969, e considera-se que a construção não avança por falta de vontade política, defendendo que os terrenos da Portela devem servir para criar um novo pulmão verde na cidade.
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz (PSD), disse hoje, no parlamento, que projeto do novo aeroporto da região de Lisboa está a avançar “em velocidade de cruzeiro”, sem sobressaltos ou incidentes relevantes, e reforçou que a localização no Campo de Tiro de Alcochete resulta de um consenso político alargado e de um compromisso duradouro.
Em maio de 2024, o Governo aprovou a construção do novo aeroporto da região de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, com a denominação Aeroporto Luís de Camões, com vista à substituição integral do Aeroporto Humberto Delgado, anunciou o primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD).
Antes, em junho de 2022, o então primeiro-ministro António Costa (PS) revogou o despacho do ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos (PS) de que a nova solução aeroportuária para Lisboa passaria pela construção de um novo aeroporto no Montijo até 2026 e por encerrar o aeroporto Humberto Delgado, quando estivesse concluído o de Alcochete, em 2035.
