Pelo menos 15 aeronaves militares dos Estados Unidos abandonaram duas bases operadas conjuntamente com Espanha, no sul do país, depois de o Governo espanhol ter declarado que as infraestruturas não poderiam ser utilizadas para apoiar eventuais ataques contra o Irão.
De acordo com a agência Reuters, que cita dados do portal de rastreio de voos FlightRadar24, as aeronaves partiram da Naval Station Rota e da Morón Air Base. Embora estas bases sejam operadas em conjunto por Washington e Madrid, permanecem sob soberania espanhola.
Segundo os dados divulgados, pelo menos sete aeronaves terão aterrado na Ramstein Air Base, na Alemanha. A maioria dos aparelhos envolvidos são aviões-tanque de reabastecimento aéreo, incluindo o Boeing KC-135 Stratotanker. O FlightRadar24 indicou que nove aviões-tanque partiram de Morón a 1 de Março de 2026 com destino à Alemanha.
A Reuters acrescenta que dois voos saíram de Rota com destino ao sul de França, enquanto outros quatro descolaram da mesma base sem que o destino fosse visível nos dados de rastreio.
O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, afirmou que Espanha não permitirá a utilização das suas bases para operações contra o Irão que não estejam enquadradas pelo acordo bilateral com os Estados Unidos e em conformidade com a Carta das Nações Unidas.
“As bases espanholas não estão a ser utilizadas para esta operação, nem serão utilizadas para qualquer acção que não esteja incluída no acordo com os Estados Unidos ou que não esteja em conformidade com a Carta das Nações Unidas”, declarou Albares, citado pela Reuters.
A posição espanhola contrasta com a de outros países europeus. O Reino Unido recusou inicialmente autorizar o uso das suas bases para um eventual ataque ao Irão, mas o primeiro-ministro Keir Starmer acabou por permitir a sua utilização, invocando o princípio da autodefesa colectiva.
O Governo Português tem permitido a utilização da Base das Lajes, nos Açores, ao abrigo do acordo em vigor com os EUA.
Segundo o jornal The Guardian, o Governo de Madrid terá negado autorização a Washington para utilizar Rota e Morón em ataques contra o Irão, tendo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificado a acção dos Estados Unidos e de Israel como perigosa e incompatível com o direito internacional.
Por sua vez, a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, sublinhou que as aeronaves norte-americanas estão estacionadas permanentemente em Espanha, sugerindo que os movimentos registados poderão corresponder a um reposicionamento operacional e não à retirada de um destacamento temporário preparado para uma eventual operação ofensiva.
