O Singapore Airshow abriu hoje as portas com um primeiro dia marcado por uma actividade comercial bastante limitada no sector da aviação civil.

No setor comercial, os anúncios de encomendas foram escassos. O principal destaque foi a decisão da Air Cambodia de avançar com uma encomenda de 20 Boeing 737 MAX, enquanto a Air Borneo optou por aeronaves ATR, com uma encomenda de 8 aeronaves (5 ATR 72-600 e 3 ATR 42-600). Fora estes dois negócios, o salão não registou mais encomendas relevantes, confirmando a percepção generalizada de que esta edição não será particularmente forte em termos de contratos comerciais.

A Airbus, ainda assim, aproveitou o evento para reforçar a sua aposta no A220, tentando relançar o programa na região da Ásia-Pacífico. Actualmente, o A220 tem uma presença considerada fraca neste mercado, ficando atrás das expectativas do fabricante europeu, que vê na região um potencial de crescimento significativo para o jacto de corredor único de menor capacidade. O construtor procura, assim, recuperar terreno e aumentar a visibilidade do modelo junto de companhias aéreas asiáticas.

Tal como no sector comercial, o primeiro dia do Singapore Airshow revelou uma actividade moderada no domínio da defesa, ainda que com alguns desenvolvimentos relevantes e estrategicamente significativos.

Um dos principais anúncios veio da Embraer, que confirmou o Uzbequistão como o primeiro operador da Ásia Central do KC-390 Millennium. A entrada do país na lista de clientes do avião de transporte táctico brasileiro representa um passo importante para a Embraer Defesa & Segurança, abrindo portas a um mercado até agora inexplorado pela plataforma na região. O KC-390 continua, assim, a consolidar a sua presença internacional, fora dos mercados tradicionais da NATO e da América Latina.

A Embraer anunciou também um reforço de encomenda por parte das Filipinas para o A-29 Super Tucano, numa clara demonstração de satisfação operacional por parte do cliente e da relevância contínua da aeronave em missões de vigilância, apoio aéreo aproximado e combate à insurgência no Sudeste Asiático.

Outro desenvolvimento que despertou atenção foi a decisão da Boeing de abandonar a sua candidatura ao programa indonésio para o F-15. A empresa norte-americana confirmou que já não está a tentar assegurar a encomenda, num contexto em que a Indonésia começou recentemente a receber os seus Dassault Rafale. Embora o mercado indonésio seja conhecido por ser complexo e altamente competitivo, a retirada da Boeing é vista como um sinal claro de reavaliação estratégica, ainda que não totalmente inesperado.

No conjunto, o primeiro dia do Singapore Airshow ficou longe de ser marcado por grandes anúncios ou contratos de elevado volume, tanto no sector comercial como no da defesa. Ainda assim, os desenvolvimentos registados sublinham tendências importantes: a diversificação de operadores para plataformas como o KC-390, a continuidade de programas consolidados como o A-29 e a crescente influência de fabricantes europeus em mercados tradicionalmente disputados por empresas norte-americanas.

Resta agora perceber se os próximos dias do salão trarão anúncios de maior dimensão ou se esta edição do Singapore Airshow ficará sobretudo marcada pelo seu valor estratégico e político, mais do que pelo volume de negócios fechados.