A Administração Federal da Aviação dos Estados Unidos (FAA) deu autorização à Boeing para que o 737 MAX 10, a maior variante da família MAX, avance para a segunda fase do programa de ensaios em voo. Esta decisão permite que pilotos da autoridade reguladora iniciem avaliações diretas aos sistemas da aeronave, um passo essencial no processo de certificação, que tem registado sucessivos atrasos ao longo dos últimos anos.
A FAA concedeu a chamada Autorização de Inspeção de Tipo (TIA), sinalizando que o projecto atingiu um grau de maturidade suficiente para que a agência avalie o seu desempenho operacional e os níveis de segurança em voo. Esta etapa contempla testes aos aviónicos, aos sistemas de propulsão e a diversos componentes estruturais do avião.
Apesar deste progresso no plano regulatório, a Boeing continua a enfrentar desafios técnicos significativos. O mais relevante está associado ao sistema de anti-gelo dos motores, uma vez que foi identificado que, em determinadas condições de ar seco, o funcionamento do sistema pode provocar um aumento excessivo da temperatura na entrada de ar, com risco potencial de danos estruturais ou perda de potência.
A mesma questão tem condicionado o processo de certificação do 737 MAX 7, a versão mais pequena da família. A fabricante está a desenvolver uma solução baseada em alterações de software e de concepção, mas a FAA exige que todas as modificações sejam integralmente testadas e validadas antes da emissão do certificado de tipo. Até ao momento, a autorização para a segunda fase de ensaios não foi alargada a esta variante.
Entretanto, o programa enfrenta também pressão comercial crescente. Recentemente, a Alaska Airlines confirmou uma encomenda de 105 unidades do MAX 10, com opções para mais 35 aeronaves. O director-executivo da companhia, Ben Minicucci, mostrou-se confiante de que a certificação final será obtida ainda este ano, permitindo a integração do modelo em rotas de elevada densidade.
A Boeing acumula, neste momento, mais de 1.200 encomendas do 737 MAX 10. A entrada em serviço desta variante é vista como fundamental para reforçar a competitividade da fabricante face ao Airbus A321neo, que domina actualmente o segmento de aviões de corredor único de maior capacidade.
Embora a FAA tenha aumentado, em outubro, o limite mensal de produção da família 737 MAX para 42 aeronaves, a produção em série do MAX 10 na unidade de Everett, no estado de Washington, apenas deverá arrancar após a certificação. Analistas do sector consideram que, na ausência de novos obstáculos, as primeiras entregas poderão acontecer no final de 2026.
