Segundo avançou o DN, responsáveis da Lufthansa contactaram vários sindicatos da companhia aérea portuguesa para uma reunião que se realizou poucos dias antes do arranque da segunda fase do processo de privatização. Os trabalhadores pretendem que o futuro acionista apresente garantias relativamente às condições de trabalho e esclareça a estratégia prevista para o desenvolvimento da empresa.

A partir desta sexta-feira, 2 de janeiro, tem início a segunda etapa da privatização da TAP, com a Parpública a enviar os convites formais para a entrega de propostas não vinculativas aos três consórcios interessados: a IAG — que integra a Iberia e a British Airways —, a Air France-KLM e a Lufthansa. Nos bastidores, os candidatos têm vindo a reforçar posições e a articular contactos com diferentes intervenientes do setor, incluindo associações e representantes laborais.

Nas últimas semanas, a Lufthansa deu o primeiro passo ao solicitar um encontro com alguns sindicatos da TAP. Segundo Jorge Alves, presidente do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (SITEMA), a reunião teve um caráter introdutório e serviu sobretudo para estabelecer um canal de comunicação caso o grupo venha a vencer o processo.

Já o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) decidiu recusar, para já, qualquer reunião, por considerar prematuro iniciar conversações antes da apresentação de propostas vinculativas. De acordo com o vice-presidente, Frederico Saraiva de Almeida, os contactos só deverão ocorrer quando os candidatos assumirem formalmente os compromissos que pretendem para a companhia.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo (SNPVAC) afirma, por sua vez, que mantém contactos informais tanto com a Lufthansa como com a Air France-KLM, antecipando encontros formais no início do próximo ano. O presidente, Ricardo Penarroias, sublinha que o sindicato já tinha manifestado disponibilidade para reunir com eventuais compradores, mas que apenas recentemente os grupos demonstraram abertura para dialogar.

Entre as principais preocupações do SNPVAC estão o posicionamento futuro da TAP dentro do grupo comprador, a salvaguarda das atuais condições laborais e a necessidade de clarificação sobre a estratégia para a empresa. Penarroias insiste ainda que a questão das indemnizações devidas a cerca de dois mil tripulantes — resultantes de uma decisão do Tribunal Constitucional — terá de ser assumida pelo Estado ou pelo novo acionista.

O diri­gente que representa os tripulantes de cabine quer pedir garan­tias, uma vez que o sin­di­cato tem sido “colo­cado à mar­gem de todo o pro­cesso”.

“Este caderno de encar­gos é mise­rá­vel, dá zero garan­tias e é neces­sá­rio que elas venham de alguém. Há ques­tões muito com­ple­xas que têm de ser ana­li­sa­das e con­fesso que tenho algum receio de que os nos­sos gover­nan­tes não tenham a capa­ci­dade para lidar com este dos­siê”, diz.

Os pilotos defendem que a operação da TAP deve complementar a atividade do grupo que venha a adquiri-la, de forma a evitar reduções de rotas e perda de postos de trabalho. Já os técnicos de manutenção destacam como essenciais a preservação do hub de Lisboa, das rotas estratégicas e dos acordos de empresa alcançados nos últimos anos.

Após a validação governamental das candidaturas, a Parpública avança agora para a fase de recolha de propostas não vinculativas. Este estágio do processo deverá prolongar-se por 90 dias, seguindo-se um período adicional de análise. As propostas terão de incluir uma componente financeira — com o valor oferecido e eventuais mecanismos de valorização — e um plano estratégico para a TAP, acompanhado de uma avaliação inicial das sinergias do negócio.