A edição de 2025 do Dubai Airshow, que decorreu de 17 a 21 de novembro, consolidou, uma vez mais, o evento como um dos mais relevantes do setor aeronáutico global. No entanto, já na reta final, a edição deste ano ficou, infelizmente, manchada pelo acidente com um Light Combat Aircraft (LCA) HAL Tejas, de fabrico indiano, durante uma manobra na exibição aérea do último dia do evento.
Os correspondentes da Aviação TV estiveram presentes durante toda a semana no Al Maktoum International Airport (DWC), cobrindo todas as notícias mais relevantes da edição deste ano, que podem ser consultadas na íntegra no nosso Especial Dubai Airshow 2025, disponível aqui. Estão incluídos conteúdos de vídeo produzidos pela equipa, que estão disponíveis no nosso canal no YouTube.

Uma dos destaques nacionais vai, naturalmente, para a presença no Dubai do AED Cluster Portugal, no stand 390 – uma estreia neste evento global que demos conta no artigo dedicado sobre a participação do setor aeronáutico português.

Integrado neste esforço nacional, o Município de Ponte de Sor reforçou a forte aposta que tem vindo a fazer no desenvolvimento do cluster aeronáutico e assegurou um investimento de 4 milhões de euros para a instalação de uma nova academia de aviação da Intercontinental Aviation Enterprise no concelho.

Ponte de Sor promoveu, igualmente a nível global, o Portugal Air Summit que tem a próxima edição agendada para Outubro de 2026. Detalhamos os resultados desta participação nos artigos que estão disponíveis aqui e igualmente nesta ligação.

Os nossos destaques da exposição estática
A exposição estática de aeronaves contou com largas dezenas de aeronaves civis e militares. Uma das grandes expectativas deste ano era a oportunidade de ver de perto os aviões da fabricante chinesa COMAC. Estiveram presentes o COMAC 909 e o COMAC 919, com grande destaque para o 919, que tivemos oportunidade de visitar em detalhe.

O Dubai Airshow distingue-se sempre de outros eventos congéneres pela facilidade de acesso às aeronaves, não existindo vedações e havendo uma grande disponibilidade no acesso às aeronaves em exposição. A Emirates marca habitualmente uma forte presença e, este ano, apresentou lado a lado um Boeing 777-300ER, um Airbus A380-800 e um A350-900, todos equipados com as últimas versões da cabine da companhia com sede no Dubai.



A Boeing apostou no regresso do 777X de testes, quer em exposição estática bem como na participação diária na exibição aérea.

A Rússia participou com um avião de transporte militar IL-76-MD-90A e um caça Su-57, um caça de quinta geração desenvolvido para desempenhar missões de superioridade aérea e ataque ao solo com elevada manobrabilidade e de forma furtiva. Equipado com aviónicos avançados, sensores integrados e capacidade de operar armamento de precisão tanto internamente como externamente, o Su-57 combina velocidade supersónica sustentada com características de baixa assinatura radar. O uso extensivo de materiais compósitos e de inteligência artificial para apoio ao piloto pretende colocá-lo ao nível de outras aeronaves de última geração, tornando-o uma das plataformas mais avançadas actualmente no arsenal russo.


A Embraer trouxe até ao Dubai o KC-390 de demonstração, ostentando a nova pintura, no qual voámos em Paris, no passado mês de junho, durante o Paris Airshow. A fabricante de São José dos Campos apresentou ainda um E190F (versão de carga).


Destaque, igualmente, para um Airbus A220 nas novas cores da TAAG, integrado na exposição estática da Airbus.

Ainda em exposição estática, um Boeing 747-412 da Aquiline International.


A eterna competição entre a Airbus e a Boeing
Numa análise mais detalhada do componente comercial, esta edição encerrou com um conjunto impressionante de compromissos comerciais, impulsionados sobretudo por transportadoras do Golfo e de África. Embora a Airbus tenha terminado a semana ligeiramente à frente em número total de compromissos, foi a Boeing que protagonizou o maior negócio individual do evento, graças à nova megaencomenda de widebodies da Emirates. Fabricantes como a Embraer e a De Havilland Canada, também marcaram presença com avanços importantes em mercados emergentes.
Ao contrário do segmento comercial, a área de defesa registou uma presença mais discreta este ano, com poucos anúncios militares e ausência de novas aquisições de caças ou aeronaves de transporte estratégico.
Boeing: grande destaque para os widebodies
A Boeing entrou no evento com expectativas elevadas e rapidamente garantiu o maior destaque da feira. O anúncio mais sonante veio da Emirates, que confirmou uma encomenda adicional de 65 Boeing 777-9, elevando o backlog da companhia para 270 unidades da família 777X. Paralelamente, a transportadora do Dubai revelou estar a trabalhar com a fabricante norte-americana num estudo para o futuro 777-10, uma potencial variante alongada deste novo modelo, da linha 777X que tarda em concluir a certificação.

O segmento de corredores únicos também revelou nova dinâmica. A Ethiopian Airlines exerceu opções para 11 Boeing 737-8, enquanto a Air Senegal assinou um acordo para 9 Boeing 737 MAX 8 — o maior contrato de aviação comercial na história do país. A Gulf Air reforçou igualmente a sua aposta nos widebodies da Boeing, finalizando 15 Boeing 787 Dreamliners, com opções para mais três.


A procura por narrowbodies da linha MAX mostrou vitalidade em toda a região. A flydubai assinou um memorando de entendimento para 75 Boeing 737 MAX, acompanhados por 75 opções, consolidando uma das maiores intenções de compra da feira. No mercado de leasing, a AerCap destacou-se com a colocação de três 737 MAX 8 e dois 737-800NG na sul-africana FlySafair.

No total, somando encomendas firmes, acordos preliminares e atividade de leasing, a Boeing ultrapassou 150 compromissos, impulsionada pelo domínio nos widebodies e pela robustez renovada do programa 737 MAX.
Airbus: liderança no número total de compromissos
A Airbus estruturou a sua presença no Dubai Airshow de forma gradual, mas extremamente abrangente. A fabricante europeia reuniu encomendas em praticamente todos os segmentos — narrowbodies, widebodies, cargueiros e helicópteros — acumulando mais de 230 compromissos ao longo do evento.
Um dos momentos mais marcantes foi a histórica primeira encomenda da flydubai à Airbus: até 150 aeronaves da família A321neo. Este movimento representa uma mudança estratégica profunda na transportadora, até aqui inteiramente dependente da Boeing, e sinaliza um futuro com dupla fornecedora na sua frota.
A Etihad Airways reforçou também a sua estratégia de longo curso com um pacote composto por seis A330-900, sete A350-1000 e três cargueiros A350F, complementado por contratos de leasing com a Avolon para mais nove A330neo e quatro A320neo.

A Air Europa protagonizou outro anúncio de peso, com um memorando de entendimento para até 40 A350-900. A Ethiopian Airlines encomendou mais seis A350-900, e garantiu ainda o leasing de duas unidades adicionais através da SMBC Aviation Capital. A Emirates foi identificada como o cliente de uma compra previamente não revelada de oito A350-900.


No segmento cargueiro, a Silk Way West firmou pedido para dois A350F, reforçando o impulso da Airbus no mercado de longo curso dedicado ao transporte de carga.

Entre os narrowbodies, a Uzbekistan Airways confirmou seis A321neo via leasing de empresas chinesas, enquanto a líbia Buraq Air assinou um memorando de entendimento para 10 aeronaves da família A320neo.
O sector de helicópteros também contribuiu para o balanço positivo da Airbus. Marrocos formalizou a compra de 10 H225M, substituindo os veteranos Puma, enquanto a Bristow Group assegurou até cinco H160 em regime de leasing para operações offshore em África.

Embraer e De Havilland garantiram novos acordos
A Embraer reforçou a sua presença no mercado africano com um acordo de destaque: quatro E175 encomendados pela Air Côte d’Ivoire, acompanhados por oito direitos de compra. A aquisição representa um passo significativo na renovação da frota regional da companhia, num mercado onde os turboprops e narrowbodies mais antigos ainda dominam. A construtora brasileira assegurou igualmente um acordo para oito E195-E2 para a Helvetic Airways.


A canadiana De Havilland voltou a captar atenções no segmento de ligações regionais com uma carta de intenções da IndiaOne Air para até 10 Twin Otter Series 300-G. A aeronave deverá desempenhar um papel fundamental no reforço de acessibilidade aérea a destinos remotos na Índia.
Apesar do trágico desfecho a edição de 2025 foi marcada pela recuperação e pela diversificação
O Dubai Airshow 2025 confirmou-se como um dos eventos mais dinâmicos dos últimos anos no plano comercial, refletindo uma clara recuperação da procura global e o fortalecimento estratégico das transportadoras do Médio Oriente e de África.
A Airbus saiu com a vantagem no total de compromissos, graças ao seu portefólio diversificado e à conquista histórica da flydubai. A Boeing, por sua vez, garantiu o negócio mais robusto do evento, reafirmando a força da sua oferta widebody com o impulso determinante e de certa forma surpreendente da Emirates.
Com mercados regionais a expandir-se e fabricantes de menor dimensão a consolidar novas posições, o Dubai Airshow 2025 reforçou o seu papel como barómetro da aviação comercial global — e como palco central para decisões estratégicas com impacto na próxima década.
A próxima edição do Dubai Airshow já tem data marcada de 15 a 19 de novembro de 2027 e naturalmente, a Aviação TV marcará presença para manter os nossos leitores e seguidores atualizados sobre tudo o que se passa na indústria aeronáutica mundial.

