As perturbações na cadeia de abastecimento aeroespacial continuam a afetar gravemente o setor, com atrasos na entrega de aviões e peças que obrigam as companhias aéreas a manter em operação aeronaves mais antigas durante mais tempo. Segundo o mais recente relatório da Oliver Wyman, realizado em colaboração com a IATA, as consequências poderão custar à indústria mais de 11 mil milhões de dólares em 2025.
O estudo, intitulado Reviving the Commercial Aircraft Supply Chain, alerta que o tempo médio de entrega de novas aeronaves aumentou de 4,5 anos em 2018 para 6,8 anos em 2024, refletindo a pressão sobre fabricantes e fornecedores. A carteira global de encomendas ultrapassa já 17 mil aviões, o valor mais elevado de sempre, muito acima da média registada na década anterior.
Os custos adicionais dividem-se em quatro áreas principais: combustível (+4,2 mil milhões de dólares), devido ao uso prolongado de aviões menos eficientes; manutenção (+3,1 mil milhões), por envelhecimento da frota; aluguer de motores (+2,6 mil milhões), face ao aumento do tempo em manutenção; e gestão de inventário (+1,4 mil milhões), pela necessidade de armazenar mais peças sobresselentes.
O relatório sublinha ainda que, apesar da procura de passageiros ter aumentado 10,4% em 2024, a capacidade das companhias não acompanhou o ritmo, limitando o crescimento e pressionando os fatores de ocupação, que atingiram 83,5%.
Para Willie Walsh, diretor-geral da IATA, “as companhias aéreas enfrentam tempos de espera sem precedentes para aeronaves, motores e peças, o que eleva os custos e limita a resposta à procura”.
A Oliver Wyman defende uma reforma estrutural da cadeia de abastecimento, com mais transparência, colaboração e diversificação de fornecedores, para evitar estrangulamentos e garantir a recuperação sustentável do setor.
O mercado aeroespacial comercial deverá ultrapassar 230 mil milhões de dólares em 2025 e recuperar plenamente os níveis pré-pandemia até 2027, mantendo um crescimento médio anual de 5% na próxima década.
