A Ryanair, companhia aérea europeia de baixo custo, opera atualmente com quatro bases em território português: Lisboa, Porto, Faro e Madeira. Na passada quinta-feira, 18 de setembro, a empresa anunciou um reforço da sua operação para o Inverno IATA, prevendo o aumento do número de voos e de aeronaves alocadas — com exceção da base na capital, onde a companhia considera que a infraestrutura está sobrecarregada.

Durante uma conferência de imprensa realizada em Lisboa, Michael O’Leary, presidente executivo do grupo Ryanair Holdings, manifestou desagrado pela ausência de resposta das autoridades nacionais relativamente ao processo de reabertura da base no Aeroporto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Açores. O responsável afirmou que o pedido está a “ganhar pó” na administração pública portuguesa.

A base nos Açores foi inaugurada a 31 de março de 2015, tendo encerrado posteriormente por motivos financeiros, nomeadamente a falta de rentabilidade. A Ryanair pretende agora reativar essa operação no arquipélago como parte de um plano de crescimento mais amplo para o mercado português.

“Submetemos um plano ao Governo para duplicar o nosso tráfego em Portugal, passando de 14 para 28 milhões de passageiros nos próximos cinco anos. Temos novas aeronaves a serem entregues, por isso somos a única companhia que pode oferecer crescimento a Portugal”, declarou Michael O’Leary ao Jornal de Negócios.

O responsável sublinhou ainda que, “parte desse plano é reabrir a base em Ponta Delgada, apesar de termos perdido dinheiro a fazê-lo. Mas enquanto conseguirmos crescer em Lisboa, Faro e Porto, vamos continuar a investir dinheiro e a crescer em Ponta Delgada também”.

O’Leary indicou que o pedido de reabertura foi submetido “há cinco meses ao Governo português e desde então que está a ganhar pó”, aproveitando a ocasião para apontar críticas à morosidade dos processos decisórios em Portugal, sobretudo no que toca à administração pública.

“O Governo não quer crescer. Falam em abrir Alcochete, mas só para 2037 e nada acontece. O Governo precisa de colocar o pé no acelerador”, criticou o CEO da Ryanair.

O plano delineado pela transportadora prevê “duplicar o número de rotas, incluindo voos domésticos para mais de 320. Teríamos 16 novas aeronaves com base em Portugal e um investimento de 1,6 mil milhões de euros a injetar no turismo português”.

Segundo Michael O’Leary, esta expansão possibilitaria “entregar crescimento fora da época alta e em aeroportos regionais, havendo muito menos sazonalidade em Faro, Ponta Delgada e na Madeira”.