A companhia aérea angolana TAAG terminou o exercício de 2024 com um prejuízo líquido de 134,2 mil milhões de kwanzas (equivalente a 123,7 milhões de euros), de acordo com as demonstrações financeiras reveladas na quinta-feira, 18 de setembro.
O balanço financeiro da empresa, incluído no Relatório Agregado do Setor Empresarial Público (SEP) de Angola referente a 2024, revela um ativo total de 815,1 mil milhões de kwanzas (751,2 milhões de euros), contrastando com capitais próprios negativos no valor de 21,4 mil milhões de kwanzas (19,8 milhões de euros).
O documento destaca ainda que, ao longo do ano, a subvenção estatal para voos com destino à província de Cabinda teve um custo de 10,6 mil milhões de kwanzas (9,8 milhões de euros).
Os encargos com pessoal — incluindo salários, férias, pensões, assistência médica, indemnizações e transportes — atingiram os 83 mil milhões de kwanzas (76,5 milhões de euros). Paralelamente, as perdas operacionais e outros custos subiram para 344,5 mil milhões de kwanzas (317,5 milhões de euros), o que representa um acréscimo de 44 mil milhões de kwanzas (40,6 milhões de euros) face ao ano anterior.
De acordo com o relatório, verificou-se um aumento de 15,4% nos gastos com fornecimentos e serviços de terceiros, impulsionado essencialmente pela desvalorização do kwanza — que caiu 12% em relação ao dólar —, apesar de alguma compensação derivada da redução nas operações da transportadora.
O combustível para as aeronaves continua a representar a principal fatia das despesas operacionais, totalizando 139 mil milhões de kwanzas (128,1 milhões de euros).
As contas da TAAG foram aprovadas com reservas pela auditora independente KPMG. Entre os aspetos criticados, destaca-se a existência de discrepâncias relevantes entre os valores registados nas existências e os dados reais apurados fisicamente, além da ausência de informação detalhada sobre mais de 19 mil milhões de kwanzas (17,5 milhões de euros) associados a “existências em trânsito”.
A KPMG alertou ainda para a situação financeira da empresa, com o passivo corrente a ultrapassar o ativo corrente em 181 mil milhões de kwanzas (166,8 milhões de euros), levantando sérias dúvidas sobre a capacidade da companhia manter a sua atividade de forma sustentável.
“Estes factos evidenciam uma incerteza material que pode comprometer de forma significativa a continuidade da entidade”, conclui o relatório de auditoria.
