A United Airlines está cada vez mais próxima de tomar uma decisão sobre o futuro da sua encomenda de Airbus A350, anunciou o presidente executivo da companhia, Scott Kirby. A decisão deverá estar ligada ao calendário de retirada dos Boeing 777, prevista para o final de 2025, e poderá marcar um ponto de viragem na estratégia de renovação da frota de longo curso da transportadora norte-americana.
A encomenda da United remonta a 2009, quando a companhia com sede em Chicago assinou contrato para 25 Airbus A350-900. Desde então, o compromisso sofreu várias alterações: em 2013 passou a 35 A350-1000 e, em 2017, foi revisto para 45 unidades da versão A350-900. Apesar de sucessivos adiamentos, a encomenda mantém-se ativa, com as primeiras entregas apenas previstas para depois de 2030.
Em declarações ao The Airline Observer, Kirby admitiu que a United está a reavaliar a encomenda como parte de uma estratégia mais ampla de modernização da frota, que inclui o fim de operação dos Boeing 757 e 767. “À medida que avançamos para a retirada dos 767, teremos inevitavelmente de formar novamente pilotos. Sendo assim, este poderá ser o momento certo para transformar a encomenda do A350 em algo firme, em vez de continuar a adiar”, afirmou o executivo.
Atualmente, a United conta com 53 Boeing 767 e 74 Boeing 777-200 que necessitam de substituição, além de mais de 100 outros aviões de longo curso. A companhia tem ainda em carteira encomendas de mais de 140 Boeing 787 Dreamliner e 50 Airbus A321XLR, estes últimos destinados a substituir os 757.
Embora o foco imediato da expansão internacional esteja no 787, a United reconhece que o A350, com maior capacidade e alcance, poderá abrir novos mercados e rotas que não são viáveis com o Dreamliner. Além disso, um acordo de fornecimento de motores Rolls-Royce assinado há oito anos, inicialmente considerado pouco vantajoso, tornou-se mais apelativo no atual contexto de inflação, pressões na cadeia de abastecimento e aumento da procura de viagens.
Caso avance com a Airbus, analistas do setor acreditam que a United deverá equilibrar a decisão com novas encomendas à Boeing, de modo a manter apoios políticos e industriais tanto nos Estados Unidos como na Europa.
