O acidente com um caça F-35A Lightning II da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) durante uma aterragem de emergência na Base Aérea de Eielson, no Alasca, a 28 de janeiro de 2025, teve origem falha no trem de aterragem causada pelo congelamento do fluido hidráulico contaminado com água. A conclusão resulta do relatório oficial do inquérito ao acidente.

A aeronave, com o número de cauda 19-5535 e atribuída ao 355.º Esquadrão de Caça da 354.ª Ala, ficou totalmente destruída dentro do perímetro da base. O piloto conseguiu ejetar-se a tempo, sofrendo apenas ferimentos ligeiros. Não houve vítimas no solo.

A investigação apurou que o fluido hidráulico do sistema do trem de aterragem estava contaminado com água. Ao ser exposto a temperaturas negativas extremas em Eielson, o líquido congelou, impedindo a extensão e retração adequadas dos trens dianteiro e principais.

Esta anomalia fez com que os sensores de “peso sobre rodas” indicassem incorretamente que o avião já estava em terra. O sistema de controlo de voo entrou então em “modo de solo”, degradando severamente a capacidade de pilotagem e tornando o caça incontrolável.

O piloto e os controladores tentaram resolver a falha em coordenação com engenheiros da Lockheed Martin, num procedimento de emergência que durou quase uma hora. Foram testadas várias hipóteses e realizadas duas tentativas de “toque e descolagem” para reiniciar o sistema. Contudo, os engenheiros não solicitaram dados ambientais que pudessem revelar o problema da congelação e ignoraram códigos de falha críticos. Momentos antes do impacto, o piloto ejetou-se em segurança

Testes revelaram que até um terço do fluido hidráulico continha água, resultado de más práticas de armazenamento e de falhas de supervisão no programa de gestão de materiais perigosos da esquadra. Os barris de fluido tinham sido deixados expostos a condições adversas, nomeadamente durante uma deslocação à Base Aérea de Kadena, no Japão, sem registo ou controlo adequados.

Foram ainda identificadas falhas de manutenção, incluindo abastecimento hidráulico incorreto e ausência de deteção da contaminação antes do voo.

Poucos dias após o acidente, outro F-35 de Eielson registou problemas semelhantes no trem de aterragem durante a descolagem. Embora tenha aterrado em segurança, os testes confirmaram igualmente a presença de água e a possibilidade de congelamento, revelando que o problema tinha caráter sistémico.

A Base Aérea de Eielson é um ponto estratégico da defesa aérea norte-americana no Ártico, localizada dentro da Zona de Identificação de Defesa Aérea do Alasca (ADIZ), onde a atividade de aeronaves russas é frequente. A base acolhe ainda os exercícios multinacionais Red Flag-Alaska e apoia operações dos EUA e aliados no Pacífico.