Portugal ativou, esta sexta-feira, o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, solicitando o envio de quatro aviões Canadair para reforçar o combate aos incêndios florestais que assolam o território nacional. O anúncio foi feito pelo comandante nacional de emergência e proteção civil, Mário Silvestre, durante um briefing na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide.
De acordo com o responsável, Portugal torna-se assim o sétimo país a acionar este mecanismo europeu em 2025, após ter esgotado os apoios previstos nos acordos bilaterais com Espanha e Marrocos. Este último disponibilizou já dois aviões Canadair, que permanecerão no país até segunda-feira, enquanto os meios aéreos espanhóis têm apoiado os combates em Castelo de Vide e Chaves.
A decisão de recorrer ao apoio europeu surge depois de as condições meteorológicas não terem permitido, durante a noite, uma esperada janela de oportunidade para controlar os fogos, nomeadamente o da Lousã. “A situação manteve-se crítica, com ventos na ordem dos 70 km/h e progressão rápida das frentes de fogo”, referiu Silvestre.
Um dos incêndios mais preocupantes é o de Satão/Trancoso, que percorreu 30 quilómetros em apenas três horas e já atingiu um perímetro de 208 quilómetros, com 56.000 hectares ardidos, segundo estimativas provisórias.
Durante a noite e até às 11h de hoje, foram registadas 24 ocorrências, das quais 16 durante o período noturno. Ao todo, estão mobilizados 2850 operacionais, 960 viaturas e 32 meios aéreos nos seis incêndios considerados prioritários.
Foram ainda criadas sete zonas de concentração e apoio às populações, duas em Satão e cinco no Piódão, com apoio dos serviços municipais de proteção civil e da Cruz Vermelha Portuguesa, para acolher pessoas deslocadas.
No que diz respeito a feridos, registou-se um bombeiro assistido no local e dois transportados para unidades hospitalares, além de três civis, todos considerados feridos ligeiros.
Mário Silvestre sublinhou que a situação de prontidão operacional de nível 4 se mantém até dia 18 e que o país permanece em situação de alerta até 17 de agosto. Foram igualmente ativados os Planos Distritais de Emergência em Viseu e Coimbra, bem como todos os planos municipais das respetivas regiões.
O comandante reiterou o apelo à população para que siga rigorosamente as indicações das autoridades, sublinhando que “alguns incêndios lavram com extrema violência” e que a prioridade continua a ser “a proteção de vidas humanas e bens”.
Em resposta a questões dos jornalistas, indicou que não há, para já, registo de casas de primeira habitação destruídas e que a avaliação das aldeias evacuadas está ainda a ser realizada pela proteção civil municipal e pela GNR.
