O governo espanhol anunciou oficialmente que não irá adquirir os caças F-35 fabricados nos Estados Unidos, optando por alternativas europeias para substituir a sua envelhecida frota de Harriers AV-8B, prevista para ser desactivada até 2030. A decisão insere-se numa estratégia de reforço da autonomia europeia em matéria de defesa e cumpre os compromissos de Espanha com a NATO, nomeadamente o objectivo de destinar 2% do PIB à defesa, com 85% desse investimento a ser canalizado para a indústria europeia.
A necessidade de substituir os Harriers, em operação há quase cinco décadas e cuja manutenção se tornará insustentável com o fim do apoio dos EUA e da Itália, levou Madrid a considerar duas principais opções europeias: o Eurofighter Typhoon, já em serviço e produzido por um consórcio europeu, e o FCAS (Future Combat Air System), um caça de nova geração ainda em desenvolvimento, com entrada em operação prevista apenas para 2040
No curto prazo, a Marinha espanhola enfrenta o risco de operar unicamente com helicópteros, caso não haja uma solução intermédia eficaz até à chegada de uma nova aeronave embarcada.
A rejeição dos F-35, cujo custo unitário varia entre 90 e 130 milhões de euros, representa uma clara preferência por soluções europeias, em linha com os esforços da União Europeia para reduzir a sua dependência da tecnologia militar norte-americana. No entanto, esta posição gerou fricções com os Estados Unidos. O presidente Donald Trump criticou duramente a decisão espanhola e chegou a ameaçar a imposição de tarifas adicionais, exigindo que os países da NATO elevem o investimento em defesa para 5% do PIB
Esta escolha também complica um acordo previamente estabelecido entre a União Europeia e os Estados Unidos, que previa a aquisição de grandes quantidades de equipamento militar norte-americano por parte dos países europeus.
Com um plano de modernização militar avaliado em 10,5 mil milhões de euros, Espanha reafirma a sua aposta numa defesa europeia mais independente. Contudo, o intervalo operacional entre 2030 e 2040, período em que os Harriers já estarão fora de serviço e o FCAS ainda não estará disponível, representa um desafio significativo para as forças armadas espanholas. A adaptação do Juan Carlos I e um planeamento naval estratégico serão cruciais para assegurar a continuidade das capacidades operacionais da Marinha espanhola.
