A transportadora aérea russa Aeroflot cancelou dezenas de voos esta segunda-feira, na sequência de um ciberataque de grande escala que comprometeu vários dos seus sistemas informáticos internos, provocando o caos no Aeroporto Internacional de Sheremetyevo (SVO), em Moscovo, pleno centro operacional da companhia.

Segundo a agência estatal TASS, citando o Gabinete do Procurador-Geral da Rússia, o ataque foi suficientemente grave para justificar a abertura de uma investigação criminal. As autoridades russas confirmaram que diversos sistemas críticos da Aeroflot foram comprometidos por hackers.

Paralelamente, grupos de hackers ucranianos e bielorrussos reivindicaram publicamente a autoria do ataque, alegando tratar-se do culminar de vários meses de infiltração nos sistemas da companhia aérea. Entre os sistemas comprometidos estarão a plataforma de reservas Sabre, aplicações internas como o SharePoint e o sistema de gestão de relações com clientes (CRM). Os ciberatacantes afirmam ainda ter acedido a uma vasta quantidade de dados, que tencionam divulgar a terceiros.

Num gesto particularmente provocador, os mesmos grupos afirmaram ter obtido a palavra-passe pessoal do CEO da Aeroflot, que, segundo dizem, não teria sido alterada desde 2022.

Há também relatos de que o ataque poderá ter afetado a capacidade da companhia para reabastecer os seus aviões, o que agravou ainda mais os impactos operacionais num dos dias mais movimentados da época alta de verão.

A Aeroflot pediu aos passageiros afetados que regressem a casa, admitindo estar temporariamente impossibilitada de proceder a reembolsos ou remarcações. A transportadora garantiu, no entanto, que oferecerá alternativas — sob a forma de reembolsos ou novas reservas — no prazo de 10 dias.

Este incidente levanta novas preocupações quanto à cibersegurança na aviação civil e à vulnerabilidade de infraestruturas críticas em contexto de crescentes tensões geopolíticas.