O presidente da SATA Holding, Tiago Santos, considerou que a privatização da Azores Airlines através de um modelo de venda direta poderá tornar o processo mais rápido e eficiente, sublinhando a necessidade de evitar novos atrasos.
Numa declaração escrita enviada à agência Lusa, o responsável explicou que, apesar de o modelo final ainda estar a ser definido, a opção por uma venda direta já foi anunciada e deverá permitir um procedimento mais simples. Segundo Tiago Santos, este formato torna o processo “mais ágil e otimizado”, razão pela qual considera essencial avançar sem perder mais tempo.
A posição surge depois de o Governo dos Açores ter anunciado que concorda com a recomendação do júri responsável pelo concurso de privatização da companhia aérea, que concluiu não existirem condições para adjudicar a empresa ao consórcio Atlantic Connect Group.
O secretário regional das Finanças indicou que, após o encerramento formal do processo atualmente em curso, a alternativa deverá passar por um modelo de negociação particular.
Para Tiago Santos, a venda direta poderá garantir simultaneamente transparência e concorrência, mas com menos etapas burocráticas. O gestor recordou ainda que é fundamental acelerar o processo para cumprir os prazos definidos pela Comissão Europeia, que autorizou a extensão do calendário da privatização até ao final deste ano.
O presidente da SATA voltou também a salientar que a proposta apresentada pelo Atlantic Connect Group não corresponde aos interesses da companhia nem da Região Autónoma dos Açores. Segundo explicou, a fase de audiência concedida ao consórcio não trouxe novos elementos capazes de alterar a avaliação inicial, mantendo-se assim a recomendação de rejeição.
Por seu lado, o Atlantic Connect Group, único concorrente admitido ao processo, defendeu que a sua proposta final representou um valor três vezes superior ao inicialmente apresentado e acusou o júri de ter alterado os critérios de avaliação.
O empresário Carlos Tavares, membro do consórcio, confirmou igualmente numa entrevista ao jornal digital ECO que o grupo pretende contestar o processo nos tribunais portugueses e também em instâncias internacionais.
Recorde-se que, em janeiro, o júri do concurso já tinha anunciado a intenção de propor a rejeição da proposta apresentada, alegando que esta não assegurava devidamente os interesses da SATA nem da região. Posteriormente, a administração da companhia informou que iria recomendar ao Governo açoriano o encerramento do processo de privatização sem adjudicação.
A privatização da Azores Airlines insere-se no plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia em junho de 2022, que autorizou um apoio estatal português no valor de 453,25 milhões de euros, sob a forma de empréstimos e garantias públicas. Entre as medidas previstas encontra-se a alienação de uma participação maioritária de 51% da transportadora aérea.
