Azores Airlines

A administração do grupo SATA vai recomendar ao Governo Regional dos Açores o encerramento do processo de privatização da Azores Airlines sem adjudicação ao único concorrente admitido, invocando razões de interesse público.

Em comunicado enviado à Lusa, o conselho de administração refere que, após analisar o relatório final do júri do concurso para a alienação da companhia aérea, concorda com as conclusões apresentadas. Nesse sentido, defende que o procedimento concursal deve ser dado por concluído sem a atribuição da participação ao consórcio Atlantic Connect Group, liderado por Carlos Tavares.

Segundo a empresa, o parecer do júri revela prudência e sentido de responsabilidade num processo considerado determinante para a viabilidade económica imediata da transportadora, bem como para a sua estabilidade a médio e longo prazo, a salvaguarda dos postos de trabalho e a defesa do interesse público.

O Atlantic Connect Group tinha apresentado, a 24 de novembro de 2025, uma proposta de 17 milhões de euros pela aquisição de 85% do capital da Azores Airlines. Contudo, em 28 de janeiro, o júri do concurso anunciou a intenção de recomendar a rejeição da oferta, por entender que a mesma não acautelava devidamente os interesses da SATA e da Região Autónoma dos Açores.

O painel de avaliação, presidido pelo economista Augusto Mateus, considerou ainda que a proposta agora apresentada colocava a região e o grupo SATA numa posição globalmente menos favorável do que a solução proposta pelo mesmo consórcio em 2023.

Após a contestação do agrupamento concorrente, o júri elaborou o relatório final e remeteu-o ao conselho de administração da SATA para decisão.

Entretanto, o Atlantic Connect Group manifestou “profunda preocupação” quanto à fase final do processo, alegando que a decisão relativa à sua proposta aparentava estar consolidada antes da conclusão da audiência dos interessados. O consórcio sustenta que, após a divulgação do relatório preliminar, o presidente do conselho de administração da SATA terá tornado pública a sua concordância com o júri quanto à alegada inaceitabilidade da proposta, ainda antes de terminada essa fase processual.

Numa entrevista recente à RTP/Açores, o presidente da SATA, Tiago Santos, afirmou que a proposta apresentada não defendia os interesses do grupo, dos açorianos nem do Governo Regional.

Recorde-se que, em junho de 2022, a Comissão Europeia deu luz verde a um plano de ajuda estatal português à reestruturação da companhia aérea, no montante de 453,25 milhões de euros, através de empréstimos e garantias públicas. O plano incluía medidas como a reorganização societária e o desinvestimento de uma participação de controlo de 51% na transportadora.