A TAP Air Portugal recebeu apenas uma proposta no âmbito do concurso para a alienação da sua participação maioritária na empresa de catering Cateringpor. A companhia detém 51% do capital — correspondentes a 357 mil ações — e a única oferta apresentada partiu da suíça Gate Gourmet, que já controla os restantes 49%.
A Gate Gourmet integra o grupo Gate Group, presente em cerca de 60 países, com mais de 45 mil colaboradores. Em 2024, o grupo registou receitas de 5,21 mil milhões de francos suíços, o equivalente a cerca de 5,7 mil milhões de euros. O capital é detido em partes iguais pelo fundo soberano de Singapura, Temasek, e pela gestora asiática RRJ Capital. A origem da empresa remonta à área de catering da antiga Swissair, da qual foi autonomizada em 1992 no contexto de um processo de reestruturação.
O procedimento para a venda da participação foi lançado pela TAP a 30 de dezembro de 2025. O caderno de encargos incluía também uma proposta contratual para assegurar a continuidade dos serviços de catering após a conclusão do negócio. O valor base fixado era de 9.567.145 euros, sendo exigida experiência mínima de cinco anos no setor e atividade comprovada em aeroportos de categoria igual ou superior à do Aeroporto Humberto Delgado.
A TAP tinha adquirido a Cateringpor à TAP SGPS em janeiro de 2025 e esperava, ao que tudo indica, um processo mais competitivo. O prazo para apresentação de propostas chegou a ser prolongado por uma semana, até 20 de fevereiro, a pedido da empresa turca Sancak Inflight. No entanto, apenas a Gate Gourmet formalizou uma oferta, segundo avançou o Eco.
A alienação da Cateringpor, excluída do perímetro da privatização da TAP, deveria ter sido concluída até ao final de 2025, conforme estipulado no plano de reestruturação. O mesmo calendário previa a venda dos 49,9% que a companhia ainda detém na SPdH, antiga Groundforce, atualmente a operar sob a marca Menzies Aviation, após esta ter adquirido 51,1% do capital. Contudo, este processo enfrenta incertezas, sobretudo depois de a SPdH ter perdido o concurso para as licenças de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, colocando em causa a sua continuidade.
Perante os atrasos, o Governo português solicitou à Comissão Europeia um prolongamento de seis meses para concluir o plano de reestruturação. Bruxelas deu luz verde, mas impôs contrapartidas. A TAP ficou obrigada a devolver 25 milhões de euros dos 2,55 mil milhões de euros recebidos ao abrigo do plano aprovado em dezembro de 2021, montante que deverá ser reembolsado até ao final de junho.
Segundo a decisão comunitária, a transportadora de bandeira nacional mantém ainda o limite máximo de 99 aeronaves em operação, bem como restrições adicionais à sua atividade comercial.
