O Governo Regional dos Açores anunciou, esta segunda-feira, 23 de fevereiro, que está a desenvolver contactos com a TAP Air Portugal e com o grupo SATA Air Açores para compensar uma eventual saída da Ryanair da região. O executivo revelou ainda que já encetou esforços para atrair outras transportadoras aéreas, numa perspetiva de médio prazo.

Segundo a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, caso se confirme o abandono da companhia irlandesa, caberá à SATA e à TAP reforçar a oferta disponível nas ligações entre o arquipélago e o continente. A governante adiantou que estão em curso diligências junto de outras companhias — incluindo operadores internacionais com presença no mercado nacional — embora sublinhe que a programação de verão já se encontra em comercialização e a operação de inverno definida.

Berta Cabral falava em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, após a apresentação das novas regras do galardão “Misotis Azores”, distinção que passa a alinhar-se com os critérios do Global Sustainable Tourism Council para reconhecer práticas sustentáveis no alojamento turístico.

A responsável recordou que o setor da aviação exige planeamento com grande antecedência, admitindo que a entrada de uma nova companhia nas rotas entre o continente e os Açores apenas poderá concretizar-se, eventualmente, a partir do verão de 2027.

Relativamente à Ryanair, reforçou que o impacto da sua eventual saída será mitigado através do reforço das operações da SATA e da TAP, bem como pelos contactos já estabelecidos com outras empresas que operam voos domésticos em Portugal.

Em janeiro, o presidente executivo da Ryanair anunciou, em declarações à agência Lusa, que a transportadora irá encerrar a sua base nos Açores no final de março, classificando a decisão como definitiva e justificando-a com o aumento das taxas aeroportuárias e da fiscalidade ambiental europeia.

Atualmente, a Ryanair assegura ligações entre os Açores e o continente português a par da Azores Airlines (do grupo SATA) e da TAP Air Portugal. Após o anúncio, o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, reconheceu a importância da companhia para o destino e manifestou a expectativa de que esta possa manter a operação no arquipélago.

Berta Cabral admitiu ainda que os contactos com a transportadora irlandesa têm sido limitados, referindo que as reuniões têm sido sucessivamente adiadas e que não têm existido avanços significativos nas conversações.

Quanto às preocupações de associações do setor, que alertam para a necessidade de maior planeamento e para a quebra recente no número de dormidas, a governante salientou a volatilidade característica da atividade turística. Defendeu que, após vários anos de crescimento a dois dígitos, é natural que o mercado entre numa fase de estabilização.

De acordo com dados divulgados a 30 de janeiro pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores, os Açores registaram em 2025 um total de 4,5 milhões de dormidas em alojamentos turísticos, o valor mais elevado de sempre, representando um aumento de 4,5% face ao ano anterior. Ainda assim, nos últimos quatro meses do ano verificou-se uma diminuição da procura.

Entretanto, a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada advertiu para as consequências da saída da Ryanair e da redução da operação da Azores Airlines, considerando que o turismo regional poderá enfrentar uma situação crítica. Também a Associação do Alojamento Local dos Açores manifestou preocupação, afirmando que os empresários do setor encaram o cenário com apreensão.