Depois de quase sete anos marcados por crises de segurança, pressão regulatória e instabilidade industrial, a Boeing registou em 2025 o seu melhor desempenho comercial desde 2018, ultrapassando a Airbus no número de encomendas e recuperando protagonismo no mercado global da aviação comercial.
De acordo com os dados anuais divulgados pelo fabricante norte-americano, a Boeing contabilizou 1.173 encomendas líquidas ao longo de 2025, superando as 889 encomendas líquidas registadas pela Airbus. Trata-se da primeira vez desde 2018 que a Boeing assume a liderança anual neste indicador, considerado um dos principais termómetros da confiança das companhias aéreas.
Apesar disso, a Airbus manteve vantagem no número de entregas, com 793 aeronaves entregues, contra 600 da Boeing. Ainda assim, para a Boeing, o aumento do volume de entregas representa um ponto de viragem relevante, uma vez que é neste momento que os fabricantes recebem a maior parte dos pagamentos associados às aeronaves.
A Boeing fechou o ano com 600 entregas, o valor mais elevado dos últimos sete anos. Só em dezembro foram entregues 63 aeronaves, incluindo 44 unidades do 737 MAX, refletindo uma melhoria gradual do ritmo de produção e maior estabilidade na cadeia de fornecimento.
O programa 737 MAX continua a ser central na recuperação da empresa. Em 2025, a autoridade reguladora norte-americana autorizou o aumento do limite mensal de produção de 38 para 42 aeronaves, após melhorias nos processos de qualidade e segurança. A certificação das versões MAX 7 e MAX 10, prevista para 2026, deverá desbloquear entregas pendentes e impulsionar novos ciclos de renovação de frota.
No segmento de longo curso, o 787 Dreamliner voltou a destacar-se, com mais de 300 novas encomendas e cerca de 90 entregas em 2025, consolidando-se como o principal modelo widebody da Boeing. Já o programa 777X, apesar dos atrasos na certificação, mantém encomendas robustas, sustentadas por grandes clientes internacionais.
A Boeing definiu 2026 como um ano de estabilização, apostando na disciplina industrial, na conclusão de processos de certificação e no reforço da qualidade e segurança, numa estratégia que procura restaurar a confiança do mercado e assegurar um crescimento sustentado.
