Um relatório encomendado pelo Governo da Coreia do Sul conclui que o acidente com um Jeju Air Boeing 737-800, ocorrido em dezembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Muan, que provocou a morte de 179 pessoas, poderia não ter sido fatal se não existisse uma estrutura rígida de betão no final da pista.

A aeronave, proveniente de Banguecoque, realizou uma aterragem de emergência com o trem recolhido, ultrapassou o limite da pista e colidiu com a base de betão que suportava uma antena do sistema de aproximação (localizer). O impacto com essa infraestrutura revelou-se determinante para a destruição do avião. Apenas dois assistentes de bordo, localizados na parte traseira da fuselagem, sobreviveram.

Segundo uma simulação incluída no relatório da Comissão de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários, o impacto inicial da aeronave com a pista não foi suficientemente violento para provocar ferimentos graves. Os peritos concluíram que, na ausência da estrutura de betão, o avião teria deslizado cerca de 770 metros antes de parar, cenário em que todos os ocupantes poderiam ter sobrevivido.

O estudo acrescenta que, se o equipamento de navegação estivesse instalado numa estrutura frangível, conforme previsto nas normas internacionais de segurança aeroportuária, a aeronave poderia ter atravessado a vedação do aeroporto, resultando apenas em ferimentos ligeiros.

A deputada da oposição Kim Eun-hye afirmou que a estrutura, construída em 1999, violava regulamentos internacionais e acusou o Estado de negligência prolongada. As famílias das vítimas exigem agora responsabilidades, classificando o acidente como um “desastre provocado pelo homem”.

O aeroporto permanece encerrado desde o acidente, com reabertura prevista para abril. O relatório final da investigação continua por divulgar.