Um Airbus A321XLR da Aer Lingus enfrenta uma factura de reparação de vários milhões de euros na sequência de uma aterragem muito dura no Aeroporto de Dublin (DUB), ocorrida na semana passada. O avião — um dos dois primeiros A321XLR entregues à companhia aérea irlandesa há cerca de 12 meses — terá sofrido danos significativos no trem de aterragem, sendo necessária a substituição completa do conjunto.
A aterragem foi registada por plane spotters em Dublin e ocorreu em condições de vento forte, que poderão ter contribuído para o incidente. De acordo com informações partilhadas nas redes sociais, o relatório de carga da aeronave indicou uma força de 3,3G no toque na pista, um valor muito acima dos limites considerados normais e quase três vezes superior ao de uma aterragem típica.
O A321XLR com matrícula EI-XLT ficará imobilizado durante um período prolongado devido aos danos sofridos. A aeronave realizava um voo entre Londres Heathrow (LHR) e Dublin, tendo aterrado no aeroporto mais movimentado da Irlanda durante um episódio de meteorologia adversa.
As imagens em vídeo mostram o avião a ressaltar violentamente após o contacto inicial com a pista. Um utilizador do X referiu que a força registada de 3,3G enquadra claramente este evento na categoria de “hard landing” severa.
Em condições normais, a maioria das aterragens ocorre dentro de um intervalo de 1,1 a 1,4G, sendo que a maior parte dos aviões comerciais está certificada para suportar em segurança cerca de 2G. Valores superiores obrigam a inspecções técnicas obrigatórias e, frequentemente, resultam em danos estruturais.
Tendo em conta a intensidade do impacto, o trem de aterragem terá sido submetido a esforços extremos e encontra-se, alegadamente, para além do que pode ser reparado por meios convencionais, o que obriga à instalação de um novo conjunto completo. Trata-se de um processo dispendioso, não só pelo custo dos componentes, mas também pela mão-de-obra altamente especializada envolvida.
O A321XLR dispõe de um trem de aterragem reforçado, necessário para suportar o seu peso máximo à descolagem (MTOW) mais elevado, o que acrescenta complexidade e custo à operação. No total, estima-se que a substituição possa representar vários milhões de euros para a Aer Lingus.
A companhia aérea terá ainda de contabilizar o impacto financeiro de manter uma aeronave fora de serviço durante um período prolongado. Para além do elevado custo do novo trem de aterragem, as perdas operacionais aumentam quanto mais tempo o avião permanecer imobilizado. Atualmente, a Aer Lingus opera cinco A321XLR, no âmbito de uma encomenda total de seis aeronaves deste modelo.
Video: M_EIDW
