A Lufthansa poderá vender dois dos seus Boeing 747-8 em 2026, apesar de este modelo continuar a desempenhar um papel central na frota de longo curso da companhia alemã. A decisão resulta de uma oportunidade para garantir um valor de revenda inesperadamente elevado, de acordo com uma nota interna do CEO da Lufthansa, Jens Ritter.
As aeronaves em causa têm as matrículas D-ABYD e D-ABYG, entregues à companhia em 2012 e 2013, respetivamente. O primeiro avião deverá sair da frota em janeiro de 2026, seguindo-se o segundo no terceiro trimestre do mesmo ano. Embora a Lufthansa não tenha divulgado oficialmente o comprador, fontes do setor indicam que os aparelhos serão vendidos ao Governo dos Estados Unidos, muito provavelmente para utilização pela Força Aérea norte-americana.
O Boeing 747-8 em configuração de passageiros tem vindo a despertar interesse do Pentágono há vários anos. Este modelo está já no centro de vários programas da Força Aérea dos EUA, incluindo o atrasado programa VC-25B, destinado a substituir o atual Air Force One, e o Survivable Airborne Operations Center (SAOC), que prevê a substituição da frota de E-4B. Recentemente, o Governo norte-americano aceitou também um 747-8 anteriormente operado pela Qatar Amiri Flight, embora o seu papel final ainda não tenha sido esclarecido.
Esta decisão insere-se numa reconfiguração mais ampla da frota de longo curso da Lufthansa. A companhia encontra-se a retirar progressivamente os seus últimos Boeing 747-400, com as oito aeronaves restantes previstas sair de serviço até 2027. Em contraste, o Boeing 747-8 continuará a ser um pilar das operações de grande capacidade da transportadora, mantendo-se 17 aviões ao serviço após a venda dos dois exemplares.
Em paralelo, a Lufthansa decidiu prolongar a vida operacional do Airbus A340-600. Inicialmente previsto para ser totalmente retirado de serviço em janeiro de 2026, o modelo continuará agora a voar por mais tempo. A companhia opera atualmente cinco A340-600, que já estão programados para operar em determinadas rotas de longo curso, incluindo Washington, durante o horário de verão de 2026.
