A Saab e a Airbus estão a discutir uma possível cooperação no desenvolvimento de tecnologia de aeronaves de combate não tripuladas, num movimento que evidencia o crescente peso dos drones militares na estratégia de defesa europeia.

A informação foi confirmada pelos CEOs das duas empresas, Micael Johansson (Saab) e Guillaume Faury (Airbus), em declarações à agência Reuters durante um fórum da indústria aeroespacial e da defesa realizado esta semana na Europa.

O projeto em estudo passa pela criação de aeronaves não tripuladas de apoio a caças tripulados, como o Eurofighter Typhoon e o Saab Gripen E. Estes sistemas, conhecidos como loyal wingman ou collaborative combat aircraft (CCA), destinam-se a operar em conjunto com aviões pilotados, reforçando missões de combate, vigilância, reconhecimento e guerra eletrónica.

Micael Johansson destacou que as duas empresas já mantêm uma relação próxima, nomeadamente através do sistema de guerra eletrónica Arexis, fornecido pela Saab e utilizado por Eurofighters da Força Aérea Alemã. O responsável sublinhou ainda que a Saab está aberta a parcerias, mas sem abdicar da sua capacidade como fabricante de caças.

Por sua vez, Guillaume Faury confirmou as conversações, frisando que estas não estão relacionadas com as dificuldades do programa FCAS (Future Combat Air System), desenvolvido por França, Alemanha e Espanha, que enfrenta divergências internas sobre a repartição de trabalho e tecnologias.

O interesse crescente em aeronaves de combate não tripuladas surge num contexto de reconfiguração da indústria europeia da defesa. Enquanto a Airbus apresentou em 2024 um conceito de wingman furtivo, a Saab recebeu recentemente uma nova encomenda do Governo sueco para estudos sobre aeronaves de combate tripuladas e não tripuladas.

As decisões sobre a próxima geração de caças deverão marcar a indústria da defesa europeia durante décadas, com a Suécia a avaliar o futuro sucessor do Gripen e possíveis parcerias a partir de 2028.