Segundo informações divulgadas pela Airbus, cerca de 6 000 aeronaves em todo o mundo foram afectadas por uma nova diretiva de aeronavegabilidade de emergência (EAD) relacionada aos computadores de controlo de voo ELAC. Entre os aviões impactados encontram-se 41 pertencentes à frota nacional.
Caso não fossem realizadas alterações imediatas nos referidos computadores, estas aeronaves ficariam impedidas de operar comercialmente após a entrada em vigor da EAD, conduzindo à sua paralisação em solo e a um consequente impacto severo na operação.
Conscientes da urgência da situação, as equipas da TAP iniciaram de imediato a identificação dos aviões afectados, implementando todas as ações necessárias para garantir a alteração dos sistemas no mais curto espaço de tempo possível. O objetivo passava por minimizar os efeitos para os passageiros e assegurar que todo o processo ficasse regularizado o mais rapidamente possível.
A operação representou um “verdadeiro desafio”, reconhece a companhia. Contudo, graças à proatividade, coordenação e dedicação das equipas de Manutenção & Engenharia e do Centro de Operações Integrado (IOC), foi possível cumprir todos os requisitos impostos pela EAD em tempo recorde. Desta forma, a normalidade da operação foi rapidamente restabelecida, assegurando a segurança de passageiros e tripulações e evitando uma disrupção significativa.
A empresa destaca que este resultado extraordinário apenas foi possível graças ao desempenho exemplar de todos os profissionais envolvidos no processo.
De notar, que algumas companhias cancelaram alguns voos este sábado com destino a Lisboa, como foi o caso do Grupo KLM/AF, decorrentes dos impactos desta alteração de emergência.
Várias companhias foram afetadas pela Emergency Airworthiness Directive (EAD) da Airbus mostra o alcance global da perturbação causada pelo problema identificado nos computadores ELAC da família A320. A Jetstar, na Austrália, cancelou cerca de 90 voos depois de imobilizar 34 aeronaves para proceder às atualizações obrigatórias. Em França, a Air France cancelou 35 voos devido ao mesmo problema de software. No Japão, a All Nippon Airways (ANA) anulou aproximadamente 65 voos domésticos por necessitar de atualizar 34 aviões A320.
Na América Latina, a Avianca indicou que cerca de 70% da sua frota A320 foi afetada, levando à suspensão temporária da venda de bilhetes até 8 de dezembro para gerir a redução da capacidade. Nos Estados Unidos, a American Airlines reportou inicialmente cerca de 340 aeronaves afetadas, número mais tarde ajustado para 209, e admitiu a possibilidade de atrasos e cancelamentos pontuais durante o processo de atualização. A Delta Air Lines também foi impactada, embora de forma limitada, prevendo atrasos decorrentes das intervenções necessárias em parte da sua frota A321neo.
Na Europa, a Lufthansa confirmou que algumas aeronaves da família A320 exigiam intervenção, o que poderia originar pequenos atrasos. A companhia low-cost Wizz Air também indicou a possibilidade de ligeiras perturbações operacionais enquanto os trabalhos de manutenção decorriam. No Médio Oriente, operadores como a Air Arabia e outras companhias dos Emirados Árabes Unidos afirmaram ter iniciado ou concluído as atualizações, garantindo impacto mínimo nas operações. Já no Sudeste Asiático, a Air Asia também colocou em prática as atualizações exigidas, prevendo ajustamentos operacionais durante o processo.
Nas Filipinas, a Cebu Pacific cancelou vários voos entre 29 de novembro e 1 de dezembro, devido às intervenções obrigatórias nas aeronaves A320 e A321. No total, a EAD emitida afetou cerca de 6 000 aeronaves da família A320 em todo o mundo, mais de metade da frota global deste modelo. O problema teve origem numa falha de software nos computadores ELAC, suscetível a sofrer corrupções de dados sob condições de radiação solar intensa. Na maioria dos casos, a resolução envolvia reverter a versão de software instalada, um procedimento que demorava cerca de duas a três horas por aeronave. Contudo, em alguns aparelhos mais antigos, foi necessária substituição de hardware, levando a períodos de imobilização mais prolongados.
