A Rússia está a estudar a criação de um hub aéreo internacional em África para otimizar voos de trânsito entre cidades russas e países africanos. A proposta, apresentada pela Rosaviatsia, pretende expandir as ligações intercontinentais, criar novos corredores aéreos e aumentar a capacidade de transporte de passageiros no eixo Eurásia–África.

Atualmente, o principal ponto de entrada no continente é o Egito, com mais de 100 voos semanais, refletindo uma elevada procura sobretudo turística. Além das ligações a Cairo e Sharm el-Sheikh, estão a ser avaliados novos destinos como Alexandria e El Alamein. Fora do Egito, a Rússia mantém ligações com Etiópia, Argélia, Marrocos, Tunísia e vários países da África Ocidental, embora com frequências significativamente inferiores.

A localização do futuro hub ainda não foi definida, mas opções na África Oriental ou noutras regiões com capacidade para receber aeronaves de fuselagem larga estão em análise. O modelo em estudo prevê uma plataforma que permita redistribuir fluxos de passageiros e tornar mais eficiente o trânsito de longo curso através de aeroportos africanos.

Contudo, o projeto enfrenta desafios relevantes: a limitada disponibilidade de aviões widebody entre as companhias russas, restrições relacionadas com reabastecimento e autorizações de sobrevoo, além das barreiras regulatórias e internacionais que afetam o setor desde 2022.

Para viabilizar o crescimento das rotas africanas, a Rosaviatsia prevê medidas de apoio estatal, incluindo subsídios às transportadoras, reforço de frequências, redução de custos operacionais e simplificação de processos de autorização. Em paralelo, decorrem negociações com parceiros africanos sobre condições preferenciais de utilização de infraestruturas aeroportuárias.

A criação deste hub poderá ainda abrir espaço à participação de companhias russas em projetos de desenvolvimento aeroportuário em solo africano, aumentando a capacidade regional e criando novos pontos de conexão no continente.

A concretização dependerá de coordenação entre autoridades federais, operadores aéreos e governos africanos. Se avançar, o hub representará um novo capítulo na expansão das ligações aéreas entre a Rússia e África.