Comissárias de bordo impecavelmente maquilhadas, uniformes elegantes dignos de capa de revista e um serviço de bordo ao nível dos melhores hotéis de luxo. As refeições eram servidas em porcelana fina, o bar oferecia bebidas à descrição e vinho em taças de cristal. Fumar a bordo era permitido. Havia amplo espaço para bagagem de mão e verdadeiro conforto para esticar as pernas entre as filas. Nos aviões de maior porte, chegavam a voar mais de 15 comissários para atender os passageiros.

Viajar de avião nas décadas de 1950, 1960 e 1970 — a chamada “Era de Ouro da Aviação Comercial” — era, de facto, um acontecimento social. As pessoas vestiam-se como se fossem para uma noite de gala no Hotel Ritz, no Hotel Aviz, no Estoril Palace Hotel ou para uma grande estreia no Teatro Nacional de São Carlos. E pagavam tarifas elevadas: as viagens eram bastante mais caras do que hoje, mesmo corrigidas pela inflação.

Para ilustrar: em 1955, um bilhete de ida e volta entre Chicago e Phoenix (aprox. 2.700 km) custava 138 dólares. Atualizado para valores atuais, equivaleria a cerca de 1.070 euros.

Hoje, a mesma viagem pode custar cerca de 300 euros, aproximadamente 30% do preço ajustado da tarifa da época.

Mas o glamour vinha acompanhado de maior risco. A tecnologia aeronáutica ainda se desenvolvia e, estatisticamente, voar era cerca de 40% mais perigoso do que é atualmente. A isto somava-se o impacto desconhecido do tabaco a bordo, na altura perfeitamente normalizado.

Ainda assim, a experiência era tudo. O embarque, o serviço, a etiqueta e o ambiente faziam da aviação civil um símbolo de distinção — e é por isso que, ainda hoje, se fala com nostalgia dessa Era de Ouro, quando viajar era tão especial quanto chegar ao destino.